Sobrevida prolongada no câncer de fígado

Uma nova substância já utilizada no combate ao câncer de rim pode trazer esperança para as pessoas com tumor no fígado em estágio avançado. Um estudo revelou que a nova droga pode aumentar o tempo de sobrevida desses pacientes em 44%.

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Publicado em: 25/10/2007

Uma nova substância já utilizada no combate ao câncer de rim pode trazer esperança para as pessoas com tumor no fígado em estágio avançado. Um estudo revelou que a nova droga pode aumentar o tempo de sobrevida em pelo menos 44%. A doença geralmente aparece de forma assintomática e associada a doenças hepáticas. Apenas 30% dos doentes conseguem uma terapia curativa, como as cirurgias para remoção do tumor ou transplantes do órgão.
 
Um estudo clínico mundial com 602 pacientes com carcinoma hepatocelular em estágio avançado, inclusive brasileiros, revelou que os tratados com o tosilato de sorafenibe  viveram quase três meses a mais do que aqueles que não receberam a substância (média de 10,7 meses contra 7,9 meses do grupo placebo). Os pacientes tratados com a substância também tiveram um aumento de 73% do tempo livre de progressão da doença.

?Três meses parece pouco, mas para câncer de fígado é um grande avanço?, diz André de Oliveira, médico do serviço de transplantes de fígado do Hospital das Clínicas da USP.

?Já foram feitos 100 estudos para avaliar substâncias no combate ao câncer de fígado avançado nos últimos 30 anos e este é o primeiro que mostra resultados positivos. Estamos abrindo uma janela para tratar alguém com a forma agressiva da doença, sem chances de se curar?, complementa.
 
Oliveira pondera que o tratamento, já usado para câncer renal e em estudo para de pulmão e mama, é ainda muito caro. Custa R$ 8 mil por mês. ?Temos de discutir com o governo formas de oferecer esse remédio, viabilizar para quem realmente precisa?, acrescenta.
 
O câncer de fígado é o quinto mais comum no mundo. A doença é responsável por 8% do total de óbitos por câncer, com incidência mundial calculada em 1 a 3 para cada 100 mil habitantes. No Brasil, são estimados de 2 a 3 mil novos casos por ano. O mal é três vezes mais freqüente no homem do que na mulher e a idade média dos pacientes é de 50 anos.
 
O desenvolvimento da doença está associado a doenças hepáticas crônicas como cirrose e hepatites B e C, alcoolismo, aflotoxinas (encontrada nos amendoins contaminados) e outros agentes tóxicos, doenças metabólicas e infiltração gordurosa do fígado por mau hábito alimentar. Estatísticas mostram que apenas 20% dos casos aparecem em pessoas com o fígado saudável.
 
?Quem tem alguma alteração deste tipo deve fazer exames a cada seis meses detectar precocemente o aparecimento do tumor. A pessoa precisa controlar ingestão de álcool, ter uma dieta balanceada. Se conseguirmos fazer o diagnóstico precoce, há esperança de cura?,  diz Oliveira.
 
O diagnóstico envolve exames laboratoriais, ultra-sonografias, tomografias e ressonância magnética. Segundo o médico, há quatro doadores de fígado por cada 100 mil habitantes no Brasil. O tempo de espera para a cirurgia é de seis meses a um ano, mas a cada 180 dias, o tumor dobra de tamanho. Por isso, tem que se estabilizar o paciente enquanto espera. A sobrevida pós-transplante depois de um ano é de 89% e depois de cinco anos, 82%.
 
?O problema é que pessoas com doença hepática têm número de plaquetas baixo e uma série de outras complicações que dificultam a cirurgia. Por isso, só de 20% a 30% passam pelo procedimento?, diz Oliveira. ?O fígado tem pouco arsenal terapêutico porque costuma vir associado à cirrose. É difícil tratar com quimioterapia, por exemplo, porque a resposta é ruim?.
 
As doenças hepáticas costumam ser assintomáticas, por isso é difícil identificá-las. Quando aparecem sintomas, o estágio já está avançado. Os sinais são mal-estar, dor abdominal, distensão abdominal, perda de apetite, anorexia, emagrecimento, icterícia (pele e olhos amarelados) e ascite (acúmulo anormal de líquido no abdome ou "barriga d'água").
 
?No câncer de fígado não há tratamento padrão e a quimioterapia tem resultados pobres. É preciso investir em formas para garantir que o paciente tenha mais sobrevida e maior qualidade de vida?, diz Braddy Beltran, oncologista clínico e assessor médico do laboratório no Peru.
 
O FDA (Food and Drug Administration, dos EUA) considerou o pedido de aprovação da nova substância como Revisão Prioritária e o European Committee or Medicinal Products for Human Use também avalia a adoção. Segundo os médicos, o pedido já foi encaminhado para a Anvisa. ?Devemos ter a aprovação em seis ou oito meses? espera Oliveira.

A substância atua inibindo a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor e a multiplicação descontrolada das células cancerosas.

Fonte: Jornal do Brasil
Edição: Clarissa Poty
25.10.2007

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