Socorro Sales: experiência e estilo motivador de administrar
Cadastrado em: 10/04/2007
Ela é a primeira mulher a assumir a direção da Agespisa em 43 anos de existência da empresa. Primeiro foi cedida pela Caixa Econômica Federal (CEF) em 2004, onde trabalhava na área de saneamento. Assumiu, então, o cargo de Diretora de Planejamento e Gestão Comercial. Em maio de 2006, tornou-se a presidente da empresa e está na função até hoje. Estamos falando de Maria do Socorro Teixeira Sales, a entrevistada especial do site Humana Saúde.
A engenheira conta que sempre teve habilidade com números e simpatia com a área de construção. Aos 48 anos de vida, ela é pioneira não só em dirigir uma empresa do porte da Agespisa - com o desafio de gerir a crise na qual está mergulhada –, mas também em sua especialidade de origem: a engenharia.
Socorro Sales é da primeira turma do curso da UFPI, na qual somente duas mulheres se formaram. A nossa personagem do 3x4 conta ainda boas histórias sobre a relação do teresinense com o meio ambiente e o hábito saudável de plantar árvores no quintal. Isto foi objeto de estudo da sua monografia de mestrado em Meio Ambiente.
“No mestrado em Meio Ambiente verifiquei que a cultura do teresinense de plantar árvores no quintal tem uma importância muito grande para as pessoas. Este espaço funciona como a ampliação da casa e local de conversa e convivência”, explica.
Outro fato interessante pesquisado por Socorro Sales sobre a relação do teresinense com a arborização da cidade, foi o plantio dos Oitis, da Avenida Santos Dumont, na zona norte da capital, próxima a uma das cabeceiras da pista do aeroporto Petrônio Portella. “Foi idéia de uma diretora de escola na região e, através de um mutirão comunitário, as árvores foram plantadas. Cheguei a conversar com o senhor Carvalhinho que participou do plantio. Foi ele, também, um dos que encabeçou o protesto contra a poda dos Oitis feita por uma empresa contratada pela Infraero. Um decreto municipal de 1988 determinava que as árvores não podiam ser cortadas”, relata.
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O então superintendente da Infraero em Teresina naquela época (1993/94), Wellington Santos, explicou à reportagem da Humana Saúde que houve um erro de execução do trabalho de poda. “Tínhamos feito um estudo sobre algumas áreas entorno do aeroporto onde as árvores estavam atrapalhando os equipamentos de navegação aérea na cabeceira da pista, e o túnel formado pelos Oitis era um desses locais. Era para ser feita apenas a poda das copas, entretanto a empresa retirou toda a folhagem, mas não houve o corte das árvores”.
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| Socorro Sales |
cortasse as árvores. Se um escravo fosse flagrado era preso e punido com chibatadas e o dono pagava multa”, observa.
Entre as histórias que Socorro Sales conta está sua relação com o esporte e o cinema. Ela relembra que veio de Floriano (sua terra natal) para Teresina com 13 anos e aqui chegou a ser atleta do time de Handebol do colégio Pedro II. “Foi nessa época que surgiu a faculdade de Engenharia. Na juventude fiz também incursões pelo cinema com câmeras Super-8 com colegas, quando chegamos até a formar um grupo e fazer alguns filmes”.
Foi para falar destas e de outras passagens de sua trajetória, que Socorro Sales recebeu a reportagem da Humana Saúde para um bate-papo.
Humana Saúde – Como é estar à frente de uma empresa tão importante para o Estado e ao mesmo tempo mergulhada em polêmicas, como é a Agespisa?
Socorro Sales – É realmente uma empresa pesada para comandar, mas tem também um grande potencial humano. Têm grupos de trabalho para servir aos outros, para levar água para todo o Piauí. O que tenho feito é diminuir esse peso. Se não fossem as dificuldades financeiras seria a melhor companhia do Nordeste em atendimento. O que tenho feito é motivar o quadro funcional para exercer a função que é dele. Motivação é a primeira coisa. Temos 1.500 empregados no Estado e desde minha entrada já realizamos mais de 1.500 treinamentos com nosso RH (Recursos Humanos). Hoje os mais velhos sentam em frente a um computador, digitam, entram na Internet. A empresa é moderna para que ande com seus próprios pés. Teresina praticamente não tinha água. Hoje, é difícil uma reclamação. Elas acontecem apenas na periferia. Temos técnicos qualificados. Os acidentes de trabalho foram reduzidos em 50% de 2005 para 2006.
Humana Saúde - Soubemos que a senhora tem mestrado em Meio Ambiente. Este fato marca seu trabalho à frente da Agespisa de que forma?
Socorro Sales – Na preocupação com os rios Poti e Parnaíba. Estamos vigilantes com as bombas elevatórias, para os esgotos não irem para os rios. Estamos fazendo também o reflorestamento das estações de tratamento de água. Temos a preocupação com uma água de qualidade. Quando recebemos o sistema existia uma parte que não recebia cloro (interior). Hoje estamos terminando de implantar cloração em todos os poços que administramos.
Humana Saúde - A senhora sempre trabalhou com números, acredita que isso ajudou a chegar ao topo na Agespisa?
Socorro Sales – Não é só isso. Mas como é uma empresa que sempre teve administração masculina, ser da área de engenheira talvez tenha facilitado minha vinda. Porém creio que a experiência em saneamento e meu mestrado em meio ambiente também contaram.
Humana Saúde - Na sua visão o que é necessário hoje para sanear a empresa? E qual sua opinião sobre a municipalização do serviço?
Socorro Sales – Sanear a empresa não é algo fácil, mas já começamos com a motivação dos empregados, passa também pela negociação da dívida da Agespisa com a Cepisa, Caixa Econômica, FGTS e BNB. Existem muitas dívidas que não reconhecemos como a da Servaz e estamos contestando na Justiça. Então a modernização depende também da parte financeira. Também precisamos encontrar uma maneira para que os impostos não onerem ao contribuinte e nem quem use a água. A maneira é transformar a empresa em autarquia, pois deixa de pagar alguns impostos e os bens não são disponíveis para pagamento de dívidas. Com a autarquia estamos desprivatizando e a municipalização do serviço leva para a privatização, o que, num primeiro momento, pode melhorar a oferta de água, mas depois não se pode pagar pelo serviço, assim como aconteceu com a telefonia.
Humana Saúde - Comparando-se com outros estados do país, como anda a qualidade da água consumida no Piauí?
Socorro Sales – Em uma reunião do Ministério das Cidades, Integração e Justiça, nosso estado não deixa a desejar para os do Sul em qualidade, quantidade e em perda. No Rio de Janeiro a perda é de 64%, no Piauí na casa de 45% e 50% e está em declínio.
Humana Saúde – Em casa como é o seu comando? É do tipo que só cuida do orçamento ou enfrenta a cozinha e a arrumação da casa?
Socorro Sales – (risos) Não sou de cozinha, tenho uma pessoa muito boa que cuida disso, mas se precisar eu encaro. Em casa é tudo de comum acordo. Meu marido também é engenheiro e é muito compreensivo. Gosto de plantas, crio galinhas e bodes em um sítio próximo a Teresina. Sou bastante caseira e gosto de conversar com o marido e os filhos.
Humana Saúde - Para se distrair o que a senhora mais gosta de fazer?
Socorro Sales – Conviver com a família é um prazer, realizar aniversários e nosso terço mensal. Reunimos umas 10 famílias para rezar e depois sempre tem uma festinha. Quando mais jovem já me aventurei até como cineasta (risos), com a turma do colégio tínhamos o grupo Mel de Abelha, que fazia sua incursão pelo cinema Super Oito.
Rápidas:
Uma meta: Fazer bem o trabalho na Agespisa
Uma personalidade: Lula
Meio ambiente: É uma preocupação constante. Tratar bem sempre.
Água é sinônimo de: Saúde
Uma alegria: São tantas...
Uma canção: Dia de Sol
Ser mulher é: Ser gente
Uma conquista: Ser mãe
Uma frustração: Não tenho. Tudo que quis conquistei....
Um livro: Bíblia
Uma publicação periódica: Jornais e as revistas Veja e Isto É
O lema da sua vida é: Não ofender ninguém, embora às vezes não consiga.
Por Adriana Cláutenes Lemos
Fotos: Dulce Luz
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