Sem preguiça para ficar em forma
Cadastrado em: 30/01/2012
Beneficiados, por um lado, pelas belezas naturais dos quatro cantos do país, e, prejudicados, por outro, pela falta de equipamentos públicos que favoreçam a prática esportiva, os brasileiros elegem como sua atividade física preferida a caminhada, revelou uma pesquisa feita pela Proteste, entidade de defesa do consumidor. O dado mais impressionante, porém, é o índice ainda muito alto de sedentarismo: cerca de 40% dos brasileiros não se exercitam, embora a maioria saiba que deveria fazê-lo a fim de prevenir doenças.
Outros estudos trazem dados ainda mais preocupantes: um deles, feito pelo InCor, de São Paulo, sustenta que o índice de sedentarismo chega a 70%. E a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), feita em 2008 e publicada em 2010, concluiu que um em cada cinco brasileiros é pouco ativo.
A disparidade entre os números dos estudos se deve à dificuldade de definir o que é sedentarismo. Afora a discussão teórica, importante mesmo, dizem os especialistas, é manter-se ativo. Para quem não gosta de exercícios formais, vale gastar energia levando o cachorro para passear, seguir caminhando ou pedalando para seus compromissos e até arrumar a casa.
— Este tipo de atividade não torna ninguém um atleta, mas gastar de 300 a 400 quilocalorias por dia já é capaz de trazer benefícios para a saúde — observa o professor Walace Monteiro, pesquisador do Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde da Uerj. — E é bom lembrar que exercício não é vacina: se você para de fazer, cessa o efeito de proteção ao organismo.
A pesquisa da Proteste teve a parceria de entidades de consumidores da Itália e da Espanha e considerou inativos os entrevistados que faziam menos de uma hora de caminhada por semana. Ouviu cerca de sete mil pessoas, nos três países. Aqui, foram 1.116 indivíduos, entre 18 e 70 anos, moradores das cinco regiões. A maioria vive em áreas urbanas e tem pelo menos o ensino médio completo.
Os brasileiros revelaram-se os mais sedentários: na Espanha, eles corresponderam a 21% dos entrevistados, e na Itália, a 33%. O Rio de Janeiro acompanhou a média da região Sudeste, onde cerca de 60% das pessoas são ativas.
— Perto do litoral, as pessoas costumam ser mais ativas. No Rio, a mentalidade do culto ao corpo ainda faz aumentar o número de pessoas que se exercitam — diz Melissa Reis, pesquisadora estatística da Proteste. — A disponibilidade de espaços e equipamentos públicos também influencia os hábitos dos brasileiros.
A pesquisa avaliou ainda o impacto da prática de exercícios na qualidade de vida, e concluiu o esperado: quanto mais atividade, mais saúde física e mental. Para Walace Monteiro, porém, os efeitos estéticos e o medo de doenças ainda são os principais estímulos para o exercício, em detrimento do prazer de realizá-lo como lazer e da consciência de sua importância para a saúde. Luiz Oswaldo Rodrigues, coordenador do doutorado em Ciências do Esporte da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda:
— Do ponto de vista da evolução da espécie humana, atividade física diária deveria ser o padrão, até porque quem não faz fica doente. Porém, a espécie humana foi criada para gastar a energia necessária procurando seu alimento e guardar a restante em forma de gordura, no que se chama de princípio geral da economia de energia. Nos últimos 11 mil anos, com a civilização, a atividade física foi se tornando cada vez menos obrigatória. Hoje, a maioria das pessoas só a procura depois que leva um susto, como sofrer um infarto.
O importante, segundo médicos e preparadores físicos, é escolher uma atividade com a qual se tenha afinidade. E o estudo da Proteste mostrou que cada faixa etária tem suas preferências. Jovens de 18 a 29 anos gostam mais de musculação.
A caminhada faz principalmente a cabeça de quem tem de 30 a 49 anos, mostrou o levantamento. E os mais velhos, com idades de 50 a 64 anos, optam prioritariamente pela ioga ou pelo pilates. Os especialistas dizem que mesmo quem tem problemas de saúde crônicos deve se exercitar.
— E quem quer começar deve passar por uma avaliação cardiológica, e, dependendo do caso, exames complementares. Depois, o ideal é procurar um profissional de educação física para saber com que regularidade praticar cada atividade — aconselha Newton Nunes, doutor em educação física pela USP e especialista em reabilitação cardiovascular pelo InCor.
Fonte: O Globo
Edição: F.C.
30.01.2012
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