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Psicologia da Oncomédica é destaque na imprensa piauiense

Cadastrado em: 26/03/2008
Psicologia da Oncomédica é destaque na imprensa piauiense
Janua Coeli e Kyslley Urtiga, psicólogas da Oncomédica

O trabalho que a equipe de psicologia da Oncomédica realiza com os clientes da clínica mereceu destaque em edição de domingo, 16 de março, do Jornal Meio Norte. A psicóloga Kyslley Urtiga, que, juntamente com Janua Coeli, comanda o acompanhamento psicológico proporcionado pela Oncomédica, falou sobre a importância da atuação do profissional da psicologia no tratamento oncológico.

As atividades do grupo terapêutico da Oncomédica, que começaram no ano passado, também mereceram atenção da reportagem. O cliente Carlos Vilanova, atualmente voluntário da Oncomédica, deu o seu depoimento sobre as mudanças na sua vivência com o câncer após a participação no grupo terapêutico da clínica.

Confira a íntegra da matéria de autoria da repórter Viviane Menegazzo:


O câncer ainda é uma das doenças que mais assustam no mundo, devido à forma agressiva como se manifesta e atinge os portadores desse mal. Médicos são unânimes em afirmar que o medo e ansiedade gerada pela doença muitas vezes interfere no tratamento, podendo até prejudicar a recuperação do paciente.

A psicóloga Kyslley Sá Urtiga é especialista em psico-oncologia. Segundo ela, a presença do psicólogo junto aos doentes de câncer é extremamente necessária devido aos problemas que a doença implica na vida tanto do paciente como da família. “A doença em si já é um grande obstáculo a ser enfrentado. Quando as pessoas recebem o diagnóstico da doença, acreditam estar recebendo um atestado de óbito. Precisamos desmistificar a doença e fazê-los entender que o câncer pode ser vencido e tratado”, afirmou a psicóloga.

A telefonista Rafaela (nome fictício), de 59 anos, descobriu o câncer de mama há cinco meses. Há três meses fez a mastectomia, com a retirada total da mama. Mesmo tendo um prognóstico positivo após a cirurgia ela optou por fazer a quimioterapia e não conseguiu, até hoje, voltar à rotina normal de trabalho.

“Eu ainda me lembro do momento em que descobri o nódulo e não durmo direito desde este dia. A dor de descobrir que eu tinha uma doença que é mortal quase me enlouqueceu, cheguei até a pensar em deixar de viver”, lembrou a telefonista.

Segundo a psicooncologista Kyslley Urtiga, o primeiro passo para combater a doença é entende-la e aceitá-la.

Preconceito ainda é um inimigo presente

Além da dor de ter a doença, “Rafaela” lembra que sentiu um segundo golpe quando percebeu o preconceito das pessoas. “Eu já imaginava que isso podia acontecer, mas nunca tinha vivido isso. Os vizinhos têm medo, muitos amigos se afastaram, as pessoas têm receio de chegar perto da gente, não sabem o quanto isso dói. As pessoas olham e tratam diferente a pessoa com câncer e isso às vezes machuca tanto quanto ter a doença”, disse.

Para a filha de “Rafaela” o preconceito veio de uma forma ainda mais dura. “Eu tinha que me ausentar freqüentemente do trabalho para acompanhar minha mãe. Lá eles sabiam que ela tinha câncer e que eu precisava dessas saídas para levá-la ao tratamento, mas mesmo assim fui demitida. Hoje, dedico minha vida a cuidar dela, mas encaro isso como preconceito, afinal, a empresa sabia da dificuldade que eu enfrentava e mesmo assim me dispensou”, disse.

Segundo a psicóloga Kyslley Urtiga, o preconceito ainda é muito presente na nossa sociedade. “Ouvindo falar ninguém acredita, mas muitos pacientes reclamam de preconceito. Hoje sei que é mais presente do que pensamos. Esse é outro fator que combatemos diariamente junto ao pacientes com câncer. A forma como lidar com esse tipo de atitude e o relacionamento com outras pessoas precisa ser orientado e acompanhado para não ocasionar problemas psicológicos. O corpo e a mente precisam estar de acordo para que ambos se recuperem”, disse a psicóloga.

Terapia para combater a ociosidade

Outro grande problema combatido durante o tratamento psicológico com portadores de câncer é a ociosidade. “O câncer leva a uma mudança completa da rotina do paciente e de sua família, que conseqüentemente causa depressão e isolamento social. Por isso, o acompanhamento psicológico é importante para ajudar o paciente a enfrentar essa nova fase. Muitas clínicas já oferecem a seus pacientes terapias ocupacionais para ajudar a ocupar este espaço que fica em suas vidas”, ressaltou a psicóloga.

Um tratamento que tem trazido bons resultados são as terapias de grupo. “As terapias de grupo proporcionam aos pacientes ter a oportunidade de trocar a experiência com outros doentes, ajuda-os a aceitar melhor a doença e até a criar novos vínculos de relacionamento”, disse Kyslley.

Carlos Vilanova participa de terapias de grupo há um ano. Descobriu que possuía câcer em 2006 e já passou por três tratamentos diferentes para combater a doença. “Quando a gente descobre a doença se sente diminuído, pequeno, até a menção do nome ‘câncer’ faz mal. Com o apoio do psicólogo e da terapia de grupo eu mudei toda a minha postura em relação a doença. Hoje me sinto mais seguro para lidar com isso”, ressaltou.

Ele lembra que hoje participa do grupo como voluntário. “Hoje, além de me ajudar, posso ajudar aos outros. É uma sensação muito boa. O grupo me ajudou a conhecer os meus próprios limites em relação à doença e hoje eu posso ajudar outras pessoas a entender o mesmo, porque já passei por isso. Eu posso ajudá-los a enfrentar todas as coisas pelas quais já passei e isso me faz bem”, disse Carlos Vilanova.


Fonte: Jornal Meio Norte
Edição: Clarissa Poty
26.03.2008