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Prótese brasileira de quadril recebe bons resultados em testes

Cadastrado em: 22/03/2006
Prótese brasileira de quadril recebe bons resultados em testes

Há 20 anos trabalhando com implantes de quadril, o ortopedista gaúcho Carlos Alberto Souza Macedo dedicou sua tese de doutorado a provar que, no Brasil, é possível produzir próteses tão boas quanto as estrangeiras. Ele é pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As próteses importadas passam por controle rigoroso de qualidade e são 40% mais caras que as nacionais. Depois de cinco anos de estudos, Macedo comemora o resultado dos testes internacionais ISO e ASTM, que comprovaram a eficácia da Logical CM, nome da prótese que desenvolveu. "Quando viajo para a Europa, pego avião da Embraer. Então penso: se o Brasil produz aviões de alta tecnologia, por que não fazer o mesmo com as próteses?", indaga.


O modelo que o pesquisador criou tem 95% de tecnologia nacional. "Até agora, tínhamos uma divisão perversa: pessoas que tinham recurso para comprar uma prótese estrangeira e as que não podiam. É uma questão social", explica. As próteses de quadril são indicadas para pessoas que sofrem de osteoartrite, doença que desgasta as cartilagens e provoca dor e dificuldade de locomoção. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o mal é freqüente, atinge principalmente pessoas acima de 65 anos e, entre as que passaram dos 75, cerca de 80% acabam sofrendo da enfermidade. Além dos quadris, a osteoartrite atinge joelhos, mãos e coluna vertebral.

É uma doença que se manifesta de forma dolorosa. Os sintomas aparecem lentamente e iniciam com surgimento de um incômodo semelhante àquele sentido quando há excesso de exercício físico. Quando evolui, pode até mesmo causar imobilidade da região atingida.

Dados do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), do Ministério da Saúde, indicam que 200 mil brasileiros vivem em cadeiras de rodas por falta de um implante ortopédico. "Estes pacientes têm condições de andar no dia seguinte à cirurgia, mas eles ficam, em média, de dois a três anos aguardando na fila", assegura o diretor-geral do Into, Sérgio Côrtes.

Inovações

As cirurgias ortopédicas representam 5% do orçamento de R$ 12 bilhões destinados à área ortopédica pelo Ministério da Saúde. São intervenções de alta complexidade e, de acordo com o pesquisador Carlos Alberto Macedo, muitos pacientes, além de não terem acesso à cirurgia, quando operados, precisam refazer a intervenção por causa de próteses de má qualidade. "Pode ocorrer fratura, desgaste e a prótese pode até se soltar do osso", relata.

Para desenvolver a Logical CM, o pesquisador afirma ter conservado o que já havia de consagrado na fabricação de próteses, acrescentando novas tecnologias. Na superfície da peça, Macedo aplicou pó de titânio, que melhora a uniformidade da prótese femural. Na base, há estrias mais afastadas do que nas tradicionais. Segundo o médico, isso permite o crescimento do osso junto à prótese. "Analisei tudo o que não gostava e tentei melhorar", conta.

Coordenador da pesquisa na (UFRGS), o médico Carlos Galia está empolgado com os resultados obtidos pelo colega. "O mais inovador é o fato de ser uma tecnologia nacional com toda a qualificação de uma peça importada", comenta. Galia também acredita que o campo de pesquisas nesta área foi aberto com o trabalho de Macedo. "A expectativa é que outros pesquisadores brasileiros apostem na tecnologia".

Por Paloma Oliveto
Fonte: Correio Brasiliense