Tratamento / Quimioterapia

Portal Oncomédica explica o que é quimioterapia

Cadastrado em: 19/08/2009
Portal Oncomédica explica o que é quimioterapia
Rivaldo Lira é gerente de Enfermagem da Oncomédica

A quimioterapia é um dos tipos de tratamento utilizados contra o câncer. Antes de enfrentar um diagnóstico da doença, a maioria das pessoas só sabe que os quimioterápicos podem provocar queda de cabelo, mas estão longe de compreender a forma de atuação deste tratamento.

Para esclarecer um pouco mais o assunto, o Portal Oncomédica traz um especial que visa a mostrar qual a real função da quimioterapia, uma das principais alternativas utilizadas pelos médicos no combate ao câncer.

Para começo de conversa, é preciso explicar o significado que está por traz da palavra: Quimioterapia nada mais é do que um conjunto de medicamentos, drogas que são injetadas nos pacientes e atacam diretamente células que estão em fase de crescimento no organismo.

A ação dos remédios ajuda a combater o câncer porque os tumores malignos são resultantes justamente da reunião de células que passam a crescer desordenadamente. “Vários fatores podem determinar que essas células, que antes cresciam normalmente, passem a crescer desordenadamente. Este crescimento anormal gera a formação de tumores, que são aglomerados de células doentes”, esclarece Rivaldo Lira, coordenador de Enfermagem da Oncomédica.

Segundo o enfermeiro, algumas destas células cancerígenas podem se desprender dos tumores, invadir outros órgãos e se espalhar pelo corpo. Os quimioterápicos vão trabalhar justamente para barrar o avanço destas células de crescimento anormal.

Forma de atuação da quimioterapia

A maioria dos quimioterápicos ataca todas as células que estão em crescimento celular. O objetivo é bloquear, atrapalhar ou interromper o crescimento das células doentes, impedindo seu avanço pelo organismo. Mas a medicação também acaba atacando células saudáveis.

É por esse motivo que durante o tratamento de quimioterapia os pacientes costumam perder os cabelos. “O crescimento dos cabelos é resultado de uma renovação das células. Como a quimioterapia costuma atacar todas as células que estão em crescimento, incluindo as saudáveis, a renovação das células capilares fica comprometida, o cabelo não é renovado, fica fraco, quebradiço, e acaba caindo”, explica Rivaldo Lira.

O enfermeiro destaca que alguns novos medicamentos, que chegam aos poucos ao mercado, já são mais inteligentes, atacando apenas as células que estão doentes e preservando as saudáveis.

Baixa imunidade

A forma de atuação da quimioterapia também afeta outras células do corpo além das que compõem o couro cabeludo. Os leucócitos, células responsáveis pela defesa do nosso organismo contra vírus e bactérias, são um dos grupos celulares mais afetados pela ação dos medicamentos de combate ao câncer.

Antes de uma sessão de quimioterapia, um ser humano deve ter uma concentração que varia entre 4 mil e 10 mil leucócitos em seu organismo. Após a injeção dos quimioterápicos, o número de leucócitos no organismo cai bastante e passa a variar entre 500 e 300.

“Sem os leucócitos, que são células de defesa do organismo, os pacientes em tratamento ficam mais expostos ao risco de contrair infecções”, ressalta Rivaldo. Esta condição, chamada imunodepressão, costuma durar até o 16º dia após a sessão de quimioterapia. Depois deste período, os leucócitos se renovam e voltam a atingir uma concentração adequada. “Por isso é dado um intervalo entre uma sessão e outra de quimioterapia, para que o paciente tenha tempo de recuperar suas defesas celulares antes de se submeter a uma nova ação dos medicamentos e uma nova baixa imunológica”, complementa o enfermeiro.

Cuidados durante a quimioterapia

Como estão com uma baixa proteção contra infecções, os pacientes em tratamento quimioterápico devem tomar algumas precauções no período em que estão se submetendo às sessões de tratamento.

Dentre as principais recomendações estão: evitar locais fechados e aglomerados de pessoas, o que pode facilitar a transmissão de vírus; evitar o contato com pessoas doentes, inclusive em casa; e evitar o trato com animais domésticos, que podem ser vetores de doenças. Tudo isto reduz o risco de infecções.

Fora estas recomendações, pacientes em tratamento podem passear, receber visitas e seguir com a vida normalmente. Apenas em alguns casos, dependendo do tipo de câncer, o paciente deverá permanecer internado para se submeter às sessões de quimioterapia. Em outras situações, o tratamento é ambulatorial, com o cliente visitando a clínica apenas para receber o medicamento.

Apenas uma fase do tratamento
 

Muitas vezes a quimioterapia é um tratamento complementar no combate ao câncer, utilizado antes ou depois de uma cirurgia para remoção do tumor.

Na quimioterapia adjuvante, os medicamentos são injetados no doente depois que já houve o procedimento cirúrgico para retirada do tumor. “É um tratamento complementar, que visa garantir que alguma célula doente não permaneça no organismo”, explica Rivaldo.

Já a quimioterapia neoadjuvante é aplicada antes da cirurgia, com o fim de atacar as células doentes e reduzir o tumor maligno o máximo possível, para facilitar sua remoção cirúrgica.

Por último, há ainda a quimioterapia paliativa, em que o quadro do paciente impede a realização da cirurgia e os medicamentos são utilizados para reduzir o tumor, estabilizar o quadro e garantir uma melhor qualidade de vida para o paciente com câncer.

Clarissa Poty
19.08.2009