Pacientes precisam estar preparados para escrever sobre a doença
Cadastrado em: 25/03/2008
Registro de reunião do grupo terapêutico da Oncomédica
Pesquisa publicada na edição desta semana da revista científica The Oncologist sugere que escrever sobre os medos relacionados à doença pode aliviar o estresse de pacientes com diagnóstico de câncer. Mas é preciso receber os resultados desse estudo com cautela.
O estudo foi realizado com 71 pacientes que sofriam de leucemia ou linfoma. A pesquisadora Nancy Morgan pediu para os pacientes responderem a um questionário sobre como a doença havia afetado suas vidas e como se sentiam com as mudanças que enfrentaram depois do diagnóstico.
Depois de três semanas, 53% dos participantes afirmaram que o exercício mudou suas opiniões sobre a doença, enquanto 38% se sentiram diferentes com relação à sua condição.
Cada pessoa tem sua forma de expressão
Para a psicóloga Kyslley Urtiga, da Oncomédica, a terapia utilizando a escrita tem suas aplicações para pacientes oncológicos, mas deve ser realizada com cuidado e só quando estiver de acordo com o perfil do paciente.
“É preciso analisar cada caso. Acompanhando o paciente, o psicólogo vai saber se escrever sobre a doença e suas implicações será bom ou não para aquela pessoa em particular”, destaca Kyslley.
A Oncomédica, clínica voltada especificamente para acompanhamento de pessoas com diagnóstico de câncer, mantém um grupo terapêutico, com reuniões quinzenais, em que os participantes podem compartilhar suas vivências com o câncer para outras pessoas em situação semelhante.
Cada grupo terapêutico realiza em torno de 15 reuniões. Segundo Kyslley, quando o grupo já está perto de realizar o seu encontro final, os participantes são chamados a escrever uma carta para eles mesmos, contando como se sentem em relação à vida e doença. “Mas isto é feito em uma última etapa. Há toda uma preparação do grupo para esse momento de autoconhecimento. E, mesmo assim, a atividade só é realizada se o perfil do grupo indicar que ela será positiva para os participantes”, destaca.
De acordo com a especialista, ninguém precisa começar a escrever sobre o câncer se não quiser ou estiver preparado para isso. “Cada terapia tem sua aplicação. O que é bom para uma pessoa pode não ser positivo para outra”, finaliza.
Clarissa Poty
Com informações de BBC
25.03.2008
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