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Otimismo é um bom remédio no tratamento contra o câncer de mama

Cadastrado em: 16/02/2009
Otimismo é um bom remédio no tratamento contra o câncer de mama

O otimismo tem papel decisivo para melhorar o prognóstico de pacientes com câncer. É o que garante o mastologista César Cabello, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia-Regional São Paulo.

Embora não haja, no que Cabello chama de “ditadura da medicina baseada em evidências”, estatísticas que provem a relação direta entre o estado de espírito positivo do doente e sua cura, empiricamente não há como negar essa influência, afirma ele.

“Vejo que pacientes que se declaram e não têm medo de falar sobre o assunto se saem melhor, pois aceitam as drogas e têm uma dinâmica familiar mais bem estruturada. É difícil provar essa correlação, mas, na prática, é assim”, atesta o médico, que além de lecionar atende no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp.

O mastologista comenta ainda que o fato de se abrirem aos outros modifica a visão que as pacientes têm de si e do mundo, no contexto da doença. “A questão da desmistificação é importante para quebrar um paradigma e na reintrodução da mulher em seu contexto de vida. A aceitação e a visão do câncer como uma entidade controlável e não destruidora é primordial contra a depressão, da qual deve-se fugir a qualquer custo”, afirma.

Há outro resultado positivo dessa postura, afirma Cabello. “Essas pessoas, vencida a doença, sentem-se melhor do que antes. Encaram como uma chamada de atenção de que a vida é frágil e que tinham que cumprir uma missão.”

Verdades sobre o câncer de mama

Mulheres que amamentam e grávidas também podem ter câncer de mama.

39% dos casos de câncer de mama no Brasil acometem mulheres com menos de 50 anos. No Caism da Unicamp, a incidência das pacientes nessa faixa etária é de mais da metade.

O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. A cada ano, cerca de 22% dos casos novos de câncer em mulheres são de mama.

No Brasil o Ministério da Saúde recomenda mamografia pelo menos a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos e o exame clínico anual das mamas para mulheres de 40 a 49 anos. Mas desde abril de 2008, a mamografia é feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em mulheres a partir de 40 anos.

O exame clínico da mama deve ser realizado em todas as mulheres, independentemente da faixa etária. Para aquelas de grupos de risco elevado para câncer de mama (com história familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau) recomenda-se o exame clínico e a mamografia anualmente, a partir de 35 anos.

Apesar de ser considerado de relativamente bom prognóstico, se detectado e tratado precocemente, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados.

Além da hereditariedade (cerca de 10% dos casos), outros fatores de risco para câncer de mama são idade (é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa a incidência cresce rápida e progressivamente); menarca precoce (idade da primeira menstruação); menopausa tardia (após os 50 anos); ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos; nuliparidade (não ter tido filhos) e ingestão regular de álcool (mais de dois gramas por dia, o equivalente a meia garrafa de vinho ou a duas doses de destilados).

Fonte: Revista Metrópole
Edição: Clarissa Poty
16.02.2009