Obesidade infantil cresce a níveis alarmantes. Saiba como evitar o problema
Cadastrado em: 16/03/2006
Chamar uma criança de fofinha era, no passado recente, um elogio muito bem vindo para os pais, visto que a criança rechonchuda era sinônimo de criança saudável. Mas hoje esse panorama mudou e a obesidade infantil se tornou um problema de saúde pública, atingindo não só crianças das classes ricas, mas também as das classes menos privilegiadas.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que a obesidade infantil cresceu 240%, nos últimos 20 anos, no Brasil. Já a Sociedade Brasileira de Pediatria diz a o índice de crianças gordas passou de 3% para 15%, nos últimos 30 anos. Números de fato preocupantes.
“Antigamente o problema de saúde pública na infância era a desnutrição e hoje é a obesidade. E o problema não atinge só a classe A, mas principalmente as de baixa renda. Isto acontece devido ao consumo de produtos hipercalóricos como macarrão, pão e afins. Além dos alimentos tipo fast-food serem mais baratos e também mais fáceis de preparar”, observa a pediatra e endocrinologista Regina Vasconcelos, da equipe do Prontomed Infantil.
A médica explica que as doenças associadas à obesidade infantil são, por exemplo, a baixa auto-estima, que leva a problemas de relacionamento quando as crianças são frequentemente alvo de brincadeiras com apelidos na escola nada agradáveis como: rolha de poço, baleia e coisas do gênero. Isso pode levar ao baixo rendimento escolar e tendência ao desenvolvimento de doenças próprias de adultos como problemas de postura, hipertensão, distúrbio hormonal e colesterol elevado.
“Por isso, para prevenir a obesidade infantil são necessárias tomar medidas desde cedo e onde haja o envolvimento de toda a família”, ressalta a endocrinologista e acrescenta que, “O ponto de partida é a realização de uma reeducação alimentar na qual participe toda a família”.
Regina lembra que uma gestante obesa tem quatro vezes mais tendência de ter filhos obesos. “Então a prevenção começa desde essa época. A gestação deve ser controlada, o bebê deve mamar no peito após o nascimento, depois dos seis meses de vida frutas, legumes e carnes magras devem ser introduzidas na alimentação, deve-se comer na mesa em ambiente tranqüilo e com toda a família, os pratos devem ser coloridos por chamarem a atenção da criança, evitar beliscar entre as refeições, fazer em média de cinco a seis refeições ao dia porque com isso o metabolismo melhora; evitar refrigerantes e bolachas recheadas (escolha um único dia para que os filhos tenham direito a essas guloseimas) e por fim, evite que seu filho fique exposto durante muito tempo na frente da televisão, do vídeo game e do computar e estimule os exercícios físicos típicos da infância como jogar bola, nadar, pular corda, andar de bicicleta”, ensina a médica.
A endocrinologista finaliza lembrando que a obesidade infantil vem aumentando, como mostram os números, pelo estilo de vida moderno. “A falta de segurança nas cidades faz com que os pais deixem seus filhos trancados em casa e aí eles se tornam sedentários e ficam muito tempo na TV, no computador e no vídeo game, deixando de praticar brincadeira que gastam energia. Além disso, há um apelo muito grande da indústria de alimentos que criam guloseimas ricas em carboidratos e gorduras e pobres em nutrientes. Mas que exercem um verdadeiro fascínio junto às crianças”.
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