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Novo teste pretende determinar quem vai desenvolver doença ou não

Cadastrado em: 25/05/2006
Novo teste pretende determinar quem vai desenvolver doença ou não

Quando apareceu, nos idos da década de 80, a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, ou no seu nome mais famoso, AIDS, meteu medo, com razão, na sociedade.

Só que do seu surgimento, quando era associada apenas a ‘grupos de risco’, até hoje, que atinge a sociedade de modo geral, a AIDS recebeu atenção de cientistas e estudiosos, numa busca incansável pela cura.

Essa ainda não chegou, mas medicamentos e tratamentos para a suavização dos sintomas já foram desenvolvidos, sendo que no Brasil essa medicação é distribuída gratuitamente.

Agora, cientistas elaboraram um teste que pretende determinar se uma pessoa portadora do vírus do HIV vai desenvolver AIDS ou se vai ter uma vida saudável mesmo se o uso das drogas antivirais disponíveis.

O teste vai ser posto a prova no Brasil e foi elaborado pelo cientista francês Jean Claude Chermann, um dos responsáveis pela descoberta do vírus e pioneiro na administração de drogas contra a doença.

O HIV ataca células do sistema imune, de defesa do organismo. Como existem inúmeras linhagens do vírus, os cientistas precisam descobrir algo em comum entre eles para combater.
 
O anticorpo, que defende o nosso organismo contra vírus e outros males, por trás do novo teste pode dar uma resposta. Há quinze anos Chermann e colegas estudam um grupo de cerca de 500 pessoas que não desenvolveram a doença e têm um anticorpo neutralizador do vírus, batizado anti-R7V.

O teste seria tecnicamente simples, semelhante aos que já existem. A presença do anti-R7V no organismo indicaria que a pessoa infectada com o vírus não chegaria ao estágio "progressor", de desenvolver a Aids. Se o paciente continua sem sintomas por mais de dez anos, ele é considerado "não-progressor". Há indicações de que uma em cada quatro pessoas infectadas poderia ser não-progressora.

Os anticorpos anti-R7V conseguem neutralizar todas as linhagens de HIV. Novas drogas antivirais poderão causar alívio temporário na epidemia, mas eventualmente o HIV desenvolveria resistência a ela. Chermann defende um novo tipo de tratamento, baseado em anticorpos do tipo do anti-R7V, como precursor de novas vacinas terapêuticas ou preventivas.

Por Pedro Jansen
com agências internacionais