Falando sobre alergias. Tire suas dúvidas
Cadastrado em: 16/05/2006
Alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico a fatores que, normalmente, não causam nenhuma reação do organismo. Tais fatores são chamados “alérgenos”. Eles só causam doença nos indivíduos geneticamente predispostos, chamados “atópicos”.
Existem as alergias respiratórias, as oculares e as cutâneas (pele) que podem estar presentes ao mesmo tempo no mesmo organismo ou surgem em seqüência. Os alérgenos inalatórios podem ser causadores tanto das alergias respiratórias como também das oculares e cutâneas. São eles: os ácaros da poeira doméstica, os fungos, os resíduos de baratas, os epitélios de animais e os polens (não sendo estes tão importantes no nosso meio).
A depender do grau de exposição aos alérgenos, ocorre inflamação progressiva ao longo do tempo, mesmo quando o indivíduo está numa fase assintomática. Os sintomas surgem quando entram em ação os chamados “fatores desencadeantes”, que podem ser: inalação do próprio alérgeno numa carga maior, ação de vírus (resfriado), inalação de odores fortes, inalação de fumaça de cigarro, inalação de ar frio, mudanças climáticas, fatores emocionais etc. Portanto, uma pessoa não tem alergia a banho de chuva, água gelada, sorvetes, praia, etc. Estes são só precipitantes de crises num olho, pele ou trato respiratório que já vinha inflamando por ação dos alérgenos. É por este motivo, que a base do tratamento de qualquer doença alérgica é a higiene ou o controle ambiental. Na doença leve ou inicial isto pode até ser suficiente, dispensando o uso de medicações profiláticas. Na doença moderada ou grave é indispensável a higiene; sem a mesma o uso de medicamentos pode não adiantar.
AS ALERGIAS RESPIRATÓRIAS
Se seu filho “gripa” demais, talvez ele seja um alérgico. E alergia tem tratamento. Caso não sejam tratadas, as alergias respiratórias podem trazer conseqüências sérias. Dentre exemplos estão: anormalidades na arcada dentária que podem resultar em uso de aparelho ortodôntico, doenças do sono, distúrbios na fala, mau aproveitamento escolar, limitação das atividades físicas, absenteísmo escolar, idas freqüentes ao pronto-socorro, uso repetido de antibióticos, etc.
Existem basicamente dois tipos de alergia respiratória: a rinite alérgica e a asma. Estas podem se manifestar com os sintomas típicos ou não. Às vezes, um quadro mais leve ou inicial pode causar confusão na identificação do diagnóstico. Além disso, muitas vezes os dois tipos de alergia estão presentes na mesma pessoa. É muito comum encontrarmos sintomas de rinite precedendo os de asma.
Portanto, se seu filho costuma coçar o nariz, espirrar quase todo dia ou dar acessos de espirros quando está “gripado”; ou se ele apresenta de vez em quando coriza abundante ou apenas um pigarro (como se estivesse coçando a garganta); ou ainda se ele vive com obstrução nasal, principalmente à noite, quando respira pela boca e ronca, ele deve ter rinite alérgica. E se seu filho costuma ter crises de tosse seca predominante à noite, incomodando o sono, melhorando quando provoca vômito de secreção espessa e clara; se ele fica “cansado”, com respiração acelerada percebida no tórax e, principalmente, se ele apresenta um chiado agudo, como se estivesse “piando”, ele pode ter asma. Se ele for muito pequeno, não costumamos dar este diagnóstico porque alguns bebês melhoram com o crescimento das vias aéreas e não permanecem “asmáticos”.
Na dúvida, procure um especialista.
QUE MEDIDAS DE CONTROLE AMBIENTAL PODEMOS ADOTAR PARA EVITAR AS MANIFESTAÇÕES DAS ALERGIAS RESPIRATÓRIAS?
• Ter uma casa arejada, que entre sol no quarto do alérgico pela manhã para evitar a umidade e a proliferação de fungos.
• Evitar muitos enfeites na casa para facilitar a limpeza diária
• Limpar a casa diariamente com pano úmido (chão e móveis), evitando vassouras, panos secos e espanadores.
• Retirar tudo que possa acumular poeira com facilidade e seja difícil de limpar (tapetes grandes, cortinas pesadas, carpetes, bichos de pelúcia e de pano, almofadas).
• Encapar o sofá com material passível de limpeza com pano úmido.
• Lavar roupas de cama uma ou duas vezes por semana
• Manter roupas e papéis dentro de um armário
• Limpar ar condicionados com freqüência
• Evitar choques térmicos (não entrar em ambientes muito frios de forma repentina).
• Retirar animais de pêlo ou de pena de dentro de casa
• Proibir fumantes na casa
• Combater barata com iscas e evitando deixar resíduos de alimentos na cozinha à noite
• Encapar com material impermeável os travesseiros e colchões (depósitos de ácaros)
Obs: Os ácaros da poeira domiciliar são animais microscópicos, que vivem dentro dos domicílios, muito próximos ao homem, já que se alimentam de descamações de pele humana como principal fonte alimentar. Durante uma noite descamamos 1 a 2 g de pele, e, portanto, o ambiente de escolha para proliferação dos ácaros é a nossa cama, em especial o colchão e o travesseiro.
Dra.Ana Maria Fontenele
Pediatra e alergista da equipe do Prontomed Infantil
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