Esclareça suas dúvidas sobre o método anticoncepcional mais adequado
Cadastrado em: 30/05/2005
Por mais que a mídia discorra sobre a temática dos métodos anticoncepcionais existentes, por mais que ocorram campanhas do governo esclarecedoras da questão e sobre os programas de distribuição gratuita de preservativos e remédios, ainda existe muita dúvida sobre o assunto, por isso nunca é demais falar sobre ele.
Para se ter uma idéia da busca de esclarecimento sobre a questão, uma das perguntas mais freqüentes no Fórum do site MEDPLAN é sobre o uso da anticoncepção de emergência, a popular “pílula do dia seguinte”. Para abordar o tema e também falar dos melhores métodos anticoncepcionais para cada faixa-etária feminina, o site MEDPLAN procurou a ginecologista Samara Medina, que explicou de um modo fácil e prático o assunto.
Drª. Samara Medina disse que para cada faixa-etária existem sempre métodos mais adequados. “Para as adolescentes, por exemplo, o indicado são os anticoncepcionais de baixa dosagem de hormônios, são as chamadas pílulas combinadas. Mas como geralmente as meninas esquecem de tomar a pílula, o melhor é que o remédio seja injetável, que é só uma vez por mês. E claro a isso é importante associar a camisinha porque as DST/Aids estão aí”, ressalta.
Já para as mulheres fumantes, acima de 35 anos, a ginecologista diz que são contra-indicadas as pílulas com a substância estrogênio. “Esse hormônio eleva as chances de trombose (obstrução dos vasos sanguíneos)”, fala acrescentando que, “a opção é fazer uso das pílulas com progestagênio (mini-pílulas).
Para a mulher acima de 35 anos não fumante, a médica aconselha as pílulas anticoncepcionais de baixa dosagem com progestagênio ou mesmo a pílula com hormônios combinados. Outra opção é o uso do Diu (Dispositivo Intra-uterino). “No caso da pílula com estrogênio, é importante esclarecer que sempre há risco de doenças cardiovasculares, já que o hormônio se liga a proteínas que alteram a pressão arterial. Outra desvantagem da pílula é que o uso pode aumentar as varizes”, diz Samara Medina.
Para as mulheres com mais de 45 anos e na fase pré-menopausa a melhor indicação, na opinião da ginecologista Samara Medina, é o uso do preservativo pelo homem ou do Diu pela mulher. “Os homens nessa fase de idade são, via de regra, mais resistentes ao uso da camisinha, por terem pouca habilidade de colocar o preservativo, mas acompanho casais que usam sem o menor problema. Para as mulheres dessa fase o Diu também é uma boa opção, sobretudo para aquelas que têm apenas um parceiro, já que o dispositivo não deixa de ser um corpo estranho no útero e se não houver cuidado há a elevação dos riscos de doenças pélvicas”.
Pílula do dia seguinte
Quanto ao método de contracepção de emergência, que tem sido muito utilizado pela brasileira e a piauiense não está fora dessa estatística, a médica Samara Medica comenta que , de fato, o uso se popularizou. “O método não tem nada de novo, o que mudou foi a fórmula, hoje se usa uma progesterona de levonorgestrel e em doses diferentes das do passado. Em casos de emergência é válido o uso, como em um estupro, por exemplo, ou mesmo alguma vez que a mulher esteja no seu período fértil e a camisinha estourar. Mas o problema é que o método tem sido usado de forma indiscriminada, há mulheres que chegam a usar várias vezes em um espaço curto de tempo. Em minha opinião esse medicamento só deveria ser vendido com prescrição médica e desta forma a paciente teria orientação de como usar e quando usar”, frisa.
Ela acrescenta ainda que o uso aleatório da medicação pode provocar irregularidades no ciclo menstrual, sangramentos como metrorragias e abrir a porta para infecções como a candidíase. “Em casos de sangramentos mais severos, muitas vezes exige internação hospitalar da paciente para melhor controle”, alerta.
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