Retrato 3x4 de uma pessoa 100x100 / Entrevista

Dr. Elias Barbosa: um predestinado a ser médico

Cadastrado em: 27/06/2006
Dr. Elias Barbosa: um predestinado a ser médico


Elias Ferreira Barbosa, 65 anos, tem 36 anos de profissão e desde muito cedo já sabia o que queria como profissão. Sua intenção era ser médico. Ele é natural da pequena Francinópolis, na região valenciana. Como muitos jovens interioranos de família simples que se achegam a Teresina, veio para a capital em busca de estudo e melhores condições de vida.

Para concretizar o seu intento, veio morar na capital em 1956, aos 15 anos de idade. Aqui cursou o ginásio na Escola Técnica, e  depois fez o científico no Liceu Piauiense. Mas seu sonho ainda não estava completo e como naquela época não havia faculdade de medicina em Teresina, projetou estudar na cidade de Recife.
Na época do ginásio, Elias Barbosa teve sua vocação testada várias vezes, mas seguro da sua escolha chegou até a escrever para o então presidente Juscelino Kubitschek para manter-se firme no propósito de ser médico. “Eu era o primeiro aluno da turma e por isso tinha uma bolsa para ajudar nos livros e em outras despesas. Naquela época, na Escola Técnica Federal do Piauí (hoje CEFET) fazíamos um teste vocacional a cada seis meses, e eu  sempre dizia que planejava ser médico, e isso era motivo para que eu fosse chamado pelo orientador educacional da instituição. Ele dizia que eu tinha de ser mecânico de máquinas, já que era o curso que eu fazia. Foi então que, nas férias do segundo ano do ginásio, resolvi escrever para o JK, pedindo para ser  transferido para qualquer outra escola técnica do país, e expus meus motivos. Ele não respondeu para mim, mas para a direção da escola. Quando voltei daquelas férias fui chamado e o diretor perguntou-me se o motivo de eu querer a transferência era só aquele. A resposta da presidência era autorizando a transferência para onde eu quisesse. Só que o diretor prometeu-me que o orientador não mais me importunaria, e então decidi permanecer aqui em Teresina. Tenho adoração à memória do JK, por isso. Claro que não foi ele quem respondeu diretamente, mas sua assessoria”, conta entusiasmado.

Mas a história desse predestinado a médico teve outros importantes lances até a concretização do sonho. “Para ir a Recife precisava ter um suporte. Então fiz um concurso público de nível médio pra o IAPB, Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários. Mesmo estando ainda fora do prazo para pedir transferência de Teresina para Recife, pedi e acabei conseguindo. Cheguei lá em 1964, trabalhava de dia e estudava em um curso à noite. Em janeiro do ano seguinte fui aprovado para duas faculdades de Medicina.

De lá para cá, Elias conseguiu não só concretizar seu sonho, como se transformou em professor da Universidade Federal de Pernambuco, uma das mais tradicionais do Nordeste; e técnico do Ministério da Saúde, bem como faz parte de importantes marcos da história da ortopedia na região. Foi ele, em parceria com Dr. Raimundo Nonato Medeiros, o primeiro a operar coluna em Teresina, isso no ano de 1981, quando já havia voltado para seu Estado natal.

Para contar um pouco de sua história, o médico, que também tem grande paixão pelo futebol, recebeu a reportagem do Portal Medplan, nessa época de Copa do Mundo para falar um pouco da sua trajetória vitoriosa.
 
Portal Medplan - Porque escolheu ser ortopedista?

Dr.Elias – Terminei o curso em 1970 e queria fazer ortopedia. Naquela época não existia residência da especialidade no Nordeste, tinha estágio. Então pleiteei uma vaga junto ao professor José Rodrigues que incentivava muito os alunos. Fiz estágio nos Hospitais da Faculdade de Pernambuco, o Santo Amaro e Pedro II. O professor da cadeira, ao final, me indicou para ser professor convidado, pedi licença do meu trabalho por dois anos e aceitei. Depois veio o concurso público para Ministério da Saúde, aí pedi demissão do meu emprego e fiquei efetivo no Hospital. Passei 10 anos como médico lá, depois fui para São Paulo estagiar no Hospital das Clínicas. Pedi para voltar ao Piauí em 1979, mas antes pedi a esse mesmo professor que me indicasse para um serviço de ortopedia em Londres. Passei seis meses no exterior operando coluna. Quando voltei ao Brasil ainda passei dois anos em Recife, onde tinha assumido tal compromisso. Em janeiro de 1981 voltei para Teresina, já com dois vínculos com o Ministério da Saúde. Paralelo a isso, operei em vários hospitais da capital. Em 1987 fundamos a Ortoclínica com o Dr. Sílvio Mendes (prefeito de Teresina), Dr.Pedro Ursulino, Dr.Osvaldo Mendes Filho, Dr.Poncion Queiroz e Dr. Raimundo Nonato Medeiros.
 
Portal Medplan - Para o senhor o que é ser bom médico?

Dr.Elias – Primeiro é ser humano, depois é ter conhecimento de sua especialidade, atender com respeito, e se reciclar. Olhar no olho do seu paciente é, também, uma prática fundamental. Por isso mesmo, eu aboli computador de meu consultório, deixo só para casa. No consultório quero dar atenção total a quem estou atendendo e o computador tira a atenção.

Portal Medplan - Como o senhor avalia a área de ortopedia em Teresina?

Dr.Elias – Tem um nível muito bom. Temos material humano, só não temos, nos serviços públicos,  aparelhos como os do Hospital das Clínicas de São Paulo e da Escola Paulista de Medicina, mas temos condições de resolver 90% dos casos. Infelizmente os nossos serviços públicos estão sucateados.

Portal Medplan - Quais são as boas noticias da área?

Dr. Elias – Muitos jovens interessados pela especialidade, que estão saindo dos consultórios e indo atender a coletividade. A especialidade tem agora esse cuidado maior com a prevenção.

Portal Medplan - O que mais lhe agrada na profissão?

Dr. Elias – Receber o doente que tratei e ele dizer que ficou bom.

Portal Medplan - E o que menos agrada?

Dr. Elias -  Há uma coisa muito antipática na medicina. É o paciente simulador, aquele que quer que o médico dê atestado gracioso, sem necessidade.

Portal Medplan - Fora a medicina, quais são suas paixões?

Dr. Elias – Minha família. Adoro também conversar com os amigos, de futebol. Ah!  Ir para o litoral também. Se pudesse ia todo fim de semana para o nosso litoral. Para mim lá é o melhor lugar do Piauí

Portal Medplan - Qual é sua relação com o esporte?

Dr.Elias – (risos). Adoro esporte, mas não pratico mais. Minha maior relação com o esporte é por meio do futebol, fui médico do Esporte Clube Recife (risos) hoje o time está na segunda divisão, mas é campeão pernambucano (risos). Já foi o quarto time do país.

Portal Medplan - Já que estamos em tempo de copa, qual sua opinião sobre a seleção brasileira?

Dr.Elias – Penso que a seleção vai ser campeã, mas não posso deixar de reconhecer outras boas equipes no mundial: Alemanha, Inglaterra e Argentina.
Portal Medplan - E sobre essa paixão do brasileiro pelo esporte. Qual sua opinião sobre essa paralisação  do país em dia de jogo?

Dr.Elias – Acho um absurdo. Nós somos campeões no vôlei e quando há jogo dessa modalidade não paramos o país para assistir. Não podemos pensar que se o Brasil for campeão vai resolver todos os problemas do país.

Raio-X

Nome completo: Elias Ferreira Barbosa

Local onde nasceu: Francinópolis (PI), a 184 km de Teresina

Signo: Gêmeos

Prato preferido: Qualquer um, gosto mesmo é de comer (risos)

Bebida preferida:  Não bebo

Virtude: Sou leal

Defeito: Não perdôo muito as pessoas que cometem injustiça comigo.

Mania: ler jornal 5h da manhã e ver noticiário na televisão

Hobby: sair no domingo para almoçar com minha família

Medo de que: de bicho com veneno, como cobra

Motivo de orgulho: Levando em conta minha história, é a minha formatura em medicina

Música favorita: Se pudesse, teria a coleção completa de discos do Luís Gonzaga

Projeto de agora: Cuidar da saúde para continuar trabalhando até os 70 anos.
 
Uma mensagem: Faça o melhor que você puder sem esperar recompensa por isso.

Por Adriana Cláutenes Lemos