Com o apoio da psico-oncologia
Cadastrado em: 04/01/2008
Apesar dos avanços na área da oncologia, o câncer continua sendo uma doença estigmatizada e carregada de preconceitos, cujo diagnóstico, comumente, afeta não só o paciente, mas também aqueles que se relacionam com ele.
A ruptura na forma habitual da vida, a frustração de sonhos e projetos, o caminho do tratamento – por vezes doloroso e prolongado –, a incerteza e a insegurança do futuro são aspectos que podem abalar a integridade psicológica dos pacientes, tornando-os fragilizados e vulneráveis.
Medos e fantasias, culpas e questionamentos, revolta e incerteza são algumas reações emocionais desencadeadas pelo impacto do adoecimento, que devem ser acolhidos pela família e, sobretudo, pelos profissionais.
A queda na qualidade de vida, a menor adesão aos tratamentos, o aumento de intercorrências médicas e a necessidade de um período maior de hospitalização são conseqüências que as alterações emocionais podem trazer para o paciente, dificultando, assim, o curso de uma evolução clínica satisfatória.
Para ajudar nesse processo, os profissionais da psico-oncologia auxiliam pacientes e familiares em todas as fases da doença, de forma a diminuir o impacto do diagnóstico e promover a melhora de alguns efeitos colaterais dos tratamentos, da relação familiar/paciente, equipe de saúde/paciente, da qualidade de vida e, no caso de pacientes terminais, auxiliando a enfrentar a questão da morte.
Esse respaldo e essencial para promover condições emocionais mais favoráveis à recuperação e possibilitar a livre expressão dos sentimentos em relação ao adoecimento. Com isso, tanto o familiar quanto o paciente sentem-se aliviados em relação ao sofrimento provocado pela doença.
Entretanto, são encontradas algumas dificuldades neste trabalho. Há uma cobrança da sociedade para uma reação positiva do indivíduo que acabou de receber o diagnóstico de câncer. O resultado é que pacientes e familiares ficam resistentes em buscar ajuda, como se pedir auxílio representasse sinal de “fraqueza ou incompetência”. É comum familiares e amigos procurarem animar o paciente, estimulando-o a sentir-se bem, até porque provavelmente para eles também é difícil entrar em contato com o sofrimento da pessoa querida.
Desta maneira, é fundamental que pacientes, familiares e cuidadores possam falar de seus sentimentos a um profissional especializado, procurando entender quais são seus reais desejos com relação aos tratamentos, equipe de saúde, direcionamento de papéis familiares, trabalho e etc. Isto permite uma melhor elaboração das questões que trazem sofrimento, possibilitando a realização escolhas diante da realidade que se impõe.
Autora: Claudia Sofia Ferrão Baroni, psicóloga especializada em psico-oncologia e membro do conselho científico da Associação Brasileira do Câncer.
Fonte: ABCâncer
Edição: Clarissa Poty
04.01.2008
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