Câncer de testículo: opções de tratamento
Cadastrado em: 22/01/2008
Pivô da seleção de basquete passou por cirurgia de remoção do tumor
Depois de passar por um cirurgia, no início da semana passada, o jogador de basquete brasileiro Nenê Hilário, pivô do time americano Denver Nuggets, se recupera de um tumor no testículo.
O esportista aguarda os resultados de uma biópsia para determinar a presença ou não de câncer. De acordo com especialistas que acompanham o caso, as chances de uma neoplasia são muito grandes. Mas, por conta do diagnóstico precoce, é bastante provável que ele se recupere completamente.
Dentre os cânceres que acometem o homem, 5% ocorrem nos testículos. A doença atinge principalmente indivíduos entre 15 e 50 anos de idade, sendo considerado raro. Sua incidência é de três a cinco casos para cada grupo de cem mil indivíduos. Comparado com outros tipos de neoplasia que atingem o homem, como o de próstata, o câncer de testículo apresenta baixo índice de mortalidade.
O oncologista e auxiliar do Centro Estadual de Oncologia da Bahia (Cican), Cléber Gomes, explica que existe dois tipos de câncer nessa região – o linfoma, que geralmente acomete pacientes idosos; e o tumor de células germinativas, mais comum em pacientes jovens e que, provavelmente, atingiu o jogador de basquete. Ambos são curáveis se descobertos na fase inicial. “A doença apresenta um histórico de quase 100% de cura dos casos. As chances são grandes mesmo nos casos de metátese”, afirmou o especialista.
O principal fator de risco para o câncer de testículo é existência de uma anomalia chamada cripotoquirdia (quando o homem nasce com o testículo fora da bolsa escrotal e dentro da cavidade abdominal). Segundo o médico, essa alteração gera mudança nas condições de temperatura, o que pode provocar o surgimento da doença. Também são condições de risco, o histórico familiar deste tumor e lesões e traumas na bolsa escrotal.
O sintoma mais comum é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, aproximadamente do tamanho de uma ervilha. Mas, ao apalpar qualquer massa que não tenha sido verificada anteriormente, um médico deve ser procurado imediatamente, de preferência um urologista.
A alteração encontrada pode se tratar somente de uma infecção, porém, no caso de um tumor, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. A doença é descoberta através de exames conhecidos como marcadores tumorais sangüíneos (alfa-feto proteína e beta-HCG) que ajudam no diagnóstico e no acompanhamento futuro da doença.
Importância do auto-exame
O oncologista Cléber Gomes reforça a importância de os homens realizarem o auto-exame mensalmente, assim como as mulheres realizam o toque da mama. “É preciso se tocar e avaliar se está tudo bem. Caso contrário, o ideal é recorrer a um especialista”, recomendou Gomes. Ele ressaltou que é fundamental ficar atento à alterações como aumento ou diminuição no tamanho dos testículos, dor imprecisa no abdômen inferior, sangue na urina e aumento ou sensibilidade dos mamilos.
A doença é tratada através de um procedimento cirúrgico que ocorre com um pequeno corte no abdômen, quando se expõe o testículo e a biópsia é realizada. Nos casos de positividade para câncer, é procedida a retirada do testículo, que não afeta a função sexual ou reprodutiva do paciente, caso tenha o outro testículo normal.
A continuidade do tratamento dependerá da pesquisa, que será realizada para identificar a presença ou a possibilidade de disseminação da doença para outros órgãos (metástase). O tratamento posterior poderá ser cirúrgico, radioterápico, quimioterápico, através de controle clínico ou até mesmo com um transplante de medula. “Hoje, temos um armamento terapêutico muito bom. A doença é perfeitamente curável”, reafirmou o oncologista.
Sintomas do câncer de testículo
Aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, aproximadamente do tamanho de uma ervilha
Alterações como aumento ou diminuição no tamanho dos testículos
Dor imprecisa no abdômen inferior
Sangue na urina
Aumento ou sensibilidade dos mamilos
Fatores de risco
Histórico familiar deste tumor
Lesões e traumas na bolsa escrotal
Criptorquidia
Fonte: Correio da Bahia
Edição: Clarissa Poty
22.01.2008
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