Tratamento / Tabagismo

Câncer de pulmão: o grande vilão é o cigarro

Cadastrado em: 29/11/2007
Câncer de pulmão: o grande vilão é o cigarro

Um câncer silencioso, que exige muita atenção aos sintomas para ser identificado precocemente. Assim é o câncer de pulmão, que atualmente é um dos carcinomas de maior incidência no mundo. Isto porque a doença está diretamente relacionada a um fator de risco muito comum: o tabagismo.

“Atualmente o tabagismo é reconhecido como uma pandemia, constituindo a maior causa isolada evitável de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo. Temos hoje cerca de 1 bilhão e 300 milhões de fumantes no mundo. Mais de 90% das pessoas com diagnóstico de câncer de pulmão são ou já foram tabagistas. Quem fuma tem até 30% de chances a mais de desenvolver câncer de pulmão do que um não fumante”, destaca o médico Evandro Magno Mendes, pneumologista e cirurgião torácico da Med Imagem.

As lesões provocadas pelo cigarro no organismo são cumulativas e possuem um período de latência relativamente longo, por isso, o câncer de pulmão costuma ter um pico de incidência na faixa etária em torno dos 65 anos.

Levando em consideração esse dado, o médico Zenon Rocha Filho recomenda que após os 40 anos de idade, os tabagistas fiquem mais vigilantes. “O pulmão é um órgão destituído de sensores dolorosos. Por isso, a presença do câncer de pulmão só vai causar dor quando o tumor já atingiu uma dimensão tão extensa que o pulmão está se chocando com a estrutura torácica”, ressalta Zenon Filho, que também é pneumologista da Med Imagem.

Segundo o especialista, nestes casos, o câncer já está muito avançado, o que impossibilita a realização do procedimento cirúrgico, único tratamento efetivamente curativo para o câncer de pulmão. Sendo assim, é preciso estar atento a outros sinais do organismo de que algo não vai bem.

Tosse seca, falta de ar, cansaço, rouquidão, perda de peso e sangramentos são alguns sintomas, que quando associados ao tabagismo, podem denunciar a presença do câncer de pulmão. “O problema é que muitos desses sintomas, como tosse e cansaço, já ocorrem no fumante normalmente, como efeitos do cigarro. Por isso, quando o câncer se instala o paciente não percebe a diferença. Muitos fatores dificultam bastante a identificação precoce do câncer de pulmão”, afirma Zenon Filho.

Câncer já diagnosticado

Para evitar a doença, a principal coisa a se fazer é mesmo permanecer longe do cigarro. Mas quando o câncer já se instalou, as alternativas são: tratamento cirúrgico, quimioterapia e radioterapia.  “Cerca de 20% dos pacientes com câncer de pulmão possuem indicação de cirurgia. Estes são casos em que houve a identificação precoce do tumor”, afirma Evandro Magno. 

Nestes casos, uma vez realizada a cirurgia, e dependendo do estágio da doença, é indicada a quimioterapia, com a aplicação de medicamentos para combater outras células cancerígenas que possam ter se espalhado pelo organismo.
 
Outra indicação de tratamento é a radioterapia, utilizada quando se quer destruir ou diminuir o tamanho do tumor para uma posterior cirurgia. Mas que também pode ser um instrumento de controle do câncer, juntamente com a quimioterapia, visando garantir a sobrevida de pacientes que, em razão da extensão do tumor, não podem ser submetidos a procedimento cirúrgico.

Tabagismo

O cigarro é o grande responsável pelo surgimento do câncer de pulmão, mas também pela manifestação de aproximadamente 50 doenças. “O tabagismo é fator de risco para o surgimento de câncer na traquéia, boca, esôfago, laringe, estômago, pâncreas, rim, bexiga, dentre outros”, enumera Evandro Magno.

O Brasil é atualmente o maior exportador e o segundo maior produtor de tabaco em todo o mundo. O cigarro brasileiro é o sexto mais barato do mundo, o que facilita o consumo entre adolescentes e adultos de baixa renda.

Hoje, a grande preocupação é com o aumento progressivo do câncer de pulmão no público feminino. “Há algum tempo atrás, a relação era de 5 homens com câncer de pulmão para cada 2 mulheres. Hoje, há estatísticas que indicam 2 para 1”, destaca Evandro Magno.

O aumento ocorre em um momento social no qual a mulher está cada vez mais independente e fumando mais. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) demonstram que, embora o brasileiro em geral esteja fumando menos, a redução tem sido maior entre os homens do que entre as mulheres.

Na prevenção ao câncer de pulmão, é muito importante que tanto homens, como mulheres, fiquem longe do cigarro.


Clarissa Poty
29.11.2007