Campanhas conscientizam sobre importância da doação de medula óssea
Cadastrado em: 31/01/2008
Na novela, Juju (à direita) está com leucemia
O número de doadores de medula óssea no Brasil cresceu nos últimos anos. Em outubro de 2007 já eram 525 mil pessoas cadastradas no Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Existem muitas razões para esses índices positivos venham acontecendo, entre elas, a conscientização dos doadores, os esforços dos médicos e profissionais de saúde que trabalham na área e às associações que lidam com os portadores da doença.
As campanhas de doação e esclarecimentos sobre a doença, nos últimos meses, vêm ganhando uma aliada de peso, com a participação de uma personagem que sofre de leucemia na novela Sete Pecados, da TV Globo.
No folhetim, Juju, interpretada pela atriz Nicete Bruno, passará por um transplante de medula óssea. O doador será seu filho Teobaldo, interpretado por Roberto Bataglin. “Trazer um problema como esse ao grande público e mostrar como um transplante pode fazer a diferença é muito importante, pois pode motivar as pessoas a serem doadoras”, reconhece Merula Steagall, presidente da Abrale -Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia.
O fato de uma personagem de novela de grande audiência ter desenvolvido a doença, podendo ter sido curada graças a um TMO - transplante de medula óssea, é mesmo bastante positivo.
Em Teresina, o cadastro para doação de medula óssea deve ser feito no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (Hemopi). Pessoas que vão doar sangue podem aproveitar o procedimento para realizar o cadastro, que exige apenas o preenchimento de uma ficha e a retirada de uma amostra de sangue do interessado, para que seja feito o HLA – exame de compatibilidade. Em seguida, o nome do doador já constará no Redome e ele poderá vir a ser doador de medula para qualquer pessoa do Brasil.
De acordo com Lúcia Gomes, assistente social do Hemopi, a personagem Juju, de Sete Pecados, ainda não conseguiu estimular a solidariedade dos piauienses. “Ainda não sentimos uma alteração na quantidade de doadores, mas esse tipo de abordagem é sempre importante, porque traz um maior esclarecimento sobre o assunto”, afirma.
Atualmente, o Piauí possui mais de 10 mil potenciais doadores cadastrados no Redome. O Hemopi registra uma média de mil cadastros por mês. De acordo com Lúcia, o grande boom no número de cadastros ocorreu após uma outra novela da Rede Globo. Laços de Família foi exibida entre os anos de 2000 e 2001, na estória, a protagonista Camila, interpretada por Carolina Dieckmann, descobriu ser portadora de leucemia e sua família iniciou uma corrida em busca de um doador compatível. “Houve um grande aumento do número de doadores voluntários naquela época”, afirma Lúcia.
Leucemia
Em 2008, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aproximadamente 10 mil pessoas em todo o Brasil desenvolverão algum tipo de leucemia - câncer que afeta a medula óssea, tecido responsável pela produção do sangue e que se localiza no interior dos ossos. Com a doença, o organismo produz células doentes denominadas “blastos”, que se acumulam na medula, reduzindo a produção de células normais, causando infecções, anemia e sangramento.
Especialistas ainda não descobriram quais as causas da doença, mas pesquisas apontam alguns fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento. “Por enquanto, é certo apenas que a leucemia não é hereditária. Sabemos também que a doença pode ter ligação com a exposição a algumas substâncias químicas, radiação ionizante, alguns fatores genéticos e anomalias congênitas”, explica a oncologista-pediatra Ana Lúcia Cornacchioni.
De acordo com os médicos, a leucemia é classificada em quatro tipos, dependendo da célula envolvida (mielóide ou linfóide) e de acordo com o desenvolvimento da doença (aguda ou crônica). A médica salienta que o diagnóstico preciso é um fator de muita importância para o sucesso no tratamento dos pacientes. “O que pode dificultar o descobrimento da leucemia logo no início é o fato de os sintomas serem similares aos de muitas doenças comuns”, revela. Assim, com o passar do tempo, em vez de desaparecerem, os sintomas tornam-se mais graves e persistentes.
Quando a doença se manifesta de maneira aguda, os sintomas são mais aparentes: anemia, manchas roxas pelo corpo, sangramento excessivo, cansaço ou enfraquecimento, dores ósseas e infecções recorrentes são os sinais mais comuns da leucemia aguda. Já a leucemia crônica progride gradualmente e, por isso, os sintomas são menos evidentes.
Sinais e sintomas
As células com leucemia não realizam as funções normais do sangue, como combate a infecção, transporte de oxigênio para os tecidos e têm dificuldades de coagulação. Por essa razão, os pacientes com leucemia freqüentemente desenvolvem infecções, anemia e sangramentos.
Os sinais e sintomas de leucemia aguda podem simular outros tipos de doença, como as infecções virais ou bacterianas e doenças reumatológicas, entre outras. Por essa razão, é importante que o médico realize um exame clínico minucioso e interprete os exames com maior critério, podendo, assim, fazer um diagnóstico seguro da doença.
Hoje, cerca de 1.800 brasileiros portadores de doenças hematológicas (do sangue) procuram por um doador de medula óssea compatível. Em muitos casos, o transplante é o procedimento com melhor possibilidade de cura.
O transplante consiste na injeção de células saudáveis - retiradas da medula óssea do próprio paciente ou de um doador compatível, ou de sangue de cordão umbilical na medula do paciente, para que esse volte a produzir células sangüíneas saudáveis e controle a doença, estado denominado remissão.
Existem três tipos de transplante de células
O transplante alogênico pode ser feito com células progenitoras de um doador compatível aparentado (há 25% de chances de se encontrar um doador na família, geralmente dentre os irmãos do paciente) ou não-aparentado. Em ambos os casos, o doador de medula é selecionado por testes de compatibilidade. Para quem não possui um doador compatível na família, a chance média de se encontrar um compatível não-aparentado - segundo o Inca - é um em 100 mil. Alguns especialistas acreditam, porém, que esse número possa chegar a um em um milhão, tendo em vista a grande diversidade genética do povo brasileiro. Além da leucemia, o transplante pode ser utilizado no tratamento de outras doenças hematológicas: benignas ou malignas; hereditárias ou adquiridas.
No Piauí, os interessados em se cadastrar como doadores podem procurar postos do Hemopi em Teresina, Parnaíba e Floriano. Não há limitação de peso, apenas limite de idade. "Só podem ser cadastrados aquelas pessoas que estão entre os 18 e os 55 anos", destaca Lúcia Gomes.
Mais informações podem ser obtidas no telefone: (86) 3221-4989
Com informações de Paraná On-Line
Clarissa Poty
31.01.2008
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