Além da pílula
Cadastrado em: 14/05/2010
Há 50 anos era lançado nos Estados Unidos o medicamento que revolucionou o comportamento sexual das mulheres e dos homens: a pílula anticoncepcional. Meio século depois, o método que tem como base inibir a ovulação por meio de hormônios continua sendo um dos mais utilizados para se evitar gravidez indesejada. Mas foi bastante aprimorado pela indústria farmacêutica.
Hoje já é possível encontrar no mercado pílulas com baixíssima dosagem de hormônios, o que ajuda a reduzir efeitos colaterais como varizes, dores de cabeça, nas pernas e mamas, e náuseas. E também ganhou fortes substitutos.
Anticoncepcionais de última geração como dispositivos intrauterinos com hormônio, anéis vaginais, adesivos e hormônios injetáveis são algumas das novidades surgidas nos últimos anos que aumentaram o arsenal feminino e cada vez mais ganham terreno entre as mulheres.
Um dos mais modernos e que agora começa a ser difundido no Brasil é o DIU de progesterona. O dispositivo, que é inserido no útero, atua como barreira para a subida dos espermatozoides, além de alterar a viscosidade do muco e o movimento ciliar das trompas. “Tudo isso tem o propósito de impedir que os espermatozoides encontrem o óvulo e ocorra a fecundação”, explica a ginecologista Alessandra Ceravolo.
Sua vantagem em relação ao DIU de cobre convencional é justamente a redução dos efeitos colaterais. “O DIU de cobre costuma aumentar muito o fluxo menstrual e provocar cólicas. Já o hormonal diminui esses inconvenientes. A maioria das mulheres até para de menstruar”,diz Alessandra, que é usuária do método.
“Coloquei justamente por ter baixos efeitos colaterais, e também por sua alta eficácia.” O índice de falhas do dispositivo, assim como o da pílula, realmente é mínimo: 0,1% a 0,2%.
O preço, porém é salgado. Enquanto o DIU de cobre custa cerca de 50 reais mais o valor cobrado pelo profissional para a colocação, que varia de 400 a 2 mil, o hormonal chega a 600 reais apenas o produto. O primeiro já pode ser colocado pelo SUS. Já o segundo, só por meio de convênio ou particular.
Como todo medicamento à base de hormônio, a ginecologista reforça que o DIU de progesterona não deve ser indicado para pacientes tabagistas, com histórico de trombose ou hipertensão arterial.
A recomendação vale para qualquer contraceptivo feito exclusivamente de progesterona – que na verdade representa uma evolução em relação à pilula tradicional, cuja composição também leva o hormônio estrógeno.
Entre eles estão, além do próprio comprimido de progesterona, as injeções e o implante subcutâneo. Todos costumam ter maior indicação para mulheres que estejam amamentando ou que sofram com mais intensidade os efeitos relacionados ao estrógeno.
O implante, que consiste na introdução de uma espécie de chip debaixo da pele, dura em média três anos. Segundo Alessandra, é pouquíssimo utilizado no Brasil. Já as injeções são aplicadas de três em três meses.
Foi essa a escolha da recepcionista Alessandra Oliveira Fernandes, 24 anos, que gasta em média 18 reais a cada três meses em que aplica a injeção. Ela experimentou pelo menos três marcas de pílulas, mas todas fizeram mal. “Sentia muita dor no estômago, mesmo tomando junto com as refeições”, conta. Por causa disso começou a utilizar as injeções. Desde então, os incômodos desapareceram. “Além disso não sinto mais cólicas, porque parei de menstruar”, completa.
Já a fonoaudióloga Andressa Duarte Bicalho usou por um ano e meio o implante subcutâneo. O principal motivo da escolha, segundo ela, é que queria ficar livre da obrigação de tomar a pílula diariamente. “E também do incômodo da menstruação”, acrescenta. Andressa diz que não sentiu qualquer inconveniente durante o tempo em que utilizou o método. Depois disso, porém, passou a ter problemas. Voltou a menstruar, com fluxo ainda mais intenso e teve cólicas fortes. Então retirou o implante, com o qual gastou cerca de 700 reais, e começou a tomar a pílula novamente.
Entre as opções modernas que entram na lista de métodos hormonais estão ainda o anel vaginal e o adesivo. Ambos liberam os mesmos hormônios (estrógeno e progesterona) que compõem a pílula. Mas como a absorção é feita pela pele, no caso do adesivo, ou pela mucosa da vagina, com o anel, a passagem desses hormônios pelo fígado acontece apenas uma vez. “A principal vantagem é a redução de efeitos colaterais como varizes, náuseas e enxaquecas”, explica a ginecologista e sexóloga Rogéria Santos Lima.
O uso de qualquer um dos dois traz outra comodidade. O anel é introduzido no interior da vagina apenas uma vez por mês. “Não precisa ser retirado antes e não causa qualquer desconforto para a mulher ou para o parceiro”, afirma Rogéria. Já o adesivo deve ser trocado toda semana, podendo ser colocado na região do corpo que a mulher preferir.
Mas há alguns fatores que impedem a ampla disseminação desses métodos. Um é o preço. O anel vaginal custa em média 50 reais. O adesivo é ainda mais caro: 65 reais a caixa com três. Além disso, entra também um certo conservadorismo por parte das consumidoras, na opinião de Rogéria. “A mulher brasileira parece muito moderna, mas não é. Por preconceito, ela às vezes prefere o medicamento que causa mais efeitos colaterais”, avalia a sexóloga.
A estudante Stefânia Antonaci diz que até experimentou outros métodos, mas não aprovou nenhum. “Simplesmente não me adaptei”, conta. Stefânia é fã mesmo da velha pílula, que usa há cinco anos. Mas toma uma das versões mais modernas do remédio, com baixa dosagem de hormônios. “Nunca tive qualquer tipo de problema com a pílula. Pelo contrário. Meu fluxo menstrual diminuiu, o que acabou trazendo mais conforto para o meu dia a dia", comenta.
Independentemente do método anticoncepcional que a paciente utilizar, os especialistas alertam: é importante que a escolha seja feita em conjunto com o ginecologista, e que haja acompanhamento médico. E mais. Todos esses novos anticoncepcionais e a própria pílula são eficazes para evitar gravidez fora de hora, mas não previnem doenças sexualmente transmissíveis. Para isso, só usando a camisinha. Quando o assunto é saúde, todo cuidado é pouco.
Métodos Contraceptivos
DIU de progesterona
* Como funciona: impede o encontro dos espermatozoides com o óvulo
* Vantagens: redução de cólicas e de fluxo menstrual
* Preço: 600 reais (em média, apenas o produto)
* Contraindicações: pacientes tabagistas, com histórico de trombose e hipertensão arterial
Injeção de progesterona
* Como funciona: inibe a ovulação
* Vantagens: suspensão de efeitos colaterais relacionados ao estrógeno como varizes, dores de cabeça, náuseas
* Preço: 30 reais (em média)
Implante subcutâneo
* Como funciona: inibe a ovulação
* Vantagens: dura em média três anos
* Preço: 700 reais (em média)
Anel vaginal
* Como funciona: inibe a ovulação
* Vantagens: passa apenas uma vez pelo fígado, causando menos efeitos colaterais como náuseas
* Preço: 50 reais
Adesivo
* Como funciona: inibe a ovulação
* Vantagens: as mesmas do anel vaginal
* Preço: 65 reais (caixa com três)
Fonte: revistaviverbrasil.com.br
Enviada por JC
Edição: F.C.
14.05.2010
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