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Tente lembrar-se da melodia de uma música clássica. É muito provável que sua memória o conduza para uma das quase 600 composições de Mozart, aquele que é, talvez, o mais genial de todos os músicos, em todos os tempos. Tudo o que criou, Mozart o fez até os 35 anos, quando morreu.
“O coração tem razões que a própria razão desconhece” - esta é uma frase que você conhece e pertence à obra Pensèes, do genial Pascal, que praticamente criou dois ramos da Matemática: a Geometria Projetiva e a Teoria das Probabilidades. Já na Física, ele aprofundou muito os estudos sobre a mecânica dos fluidos, da pressão e do vácuo. E foi o inventor da primeira máquina de calcular mecânica. Pascal morreu aos 39 anos, no auge da sua capacidade criativa.
Esses gênios morreram cedo, fato comum na Europa e em todo o restante do mundo, até 200 anos atrás, quando era pouco provável que alguém conseguisse passar dos 40 anos de idade. Se vivessem hoje, Mozart e Pascal com certeza chegariam aos 80 anos.
Há cinqüenta anos uma pessoa de 65 anos, vivendo na França, nos Estados Unidos, ou no Brasil, tinha uma expectativa de viver mais 10 anos. Hoje a perspectiva de vida dessas pessoas é de mais 20 anos. Além de um substancial tempo de vida, ocorreu também uma grande melhoria na qualidade de suas vidas ativas. Embora isto signifique algo muito louvável na escala pessoal, é também um elemento de novos desafios nas questões ligadas ao trabalho e aos custos e relações sociais.
Em 2050, a população mundial com idade superior a 65 anos chegará a 1,5 bilhão de pessoas, ou seja, uma em cada cinco pessoas. Hoje esta população já supera a das crianças com idade entre 0 e 4 anos.
Estudos mostram que a chance de levar uma vida longa e saudável acompanha de perto a renda familiar: residentes de bairros abastados vivem mais tempo, além de viverem melhor. E o grupo das pessoas com idade superior aos 60 anos concentra em suas mãos cerca de 80% das riquezas nacionais, representando mais da metade do mercado consumidor.
Por outro lado, no Brasil, o impacto crescente dos
custos de saúde, determinado pelo progressivo aumento da população de idosos, elevará os gastos médicos dos atuais 84 bilhões de reais para cerca de 170 bilhões de reais, até 2020. Cirurgias para correção de catarata senil, revascularização cardíaca, implantes dentários e próteses do quadril, com custos que variam entre 6 mil e 40 mil reais, serão ocorrências comuns entre as pessoas com mais de 60 anos, determinando elevados custos sociais a serem assumidos por toda a população.
Apesar de pouco pesquisado, este grupo populacional logo será identificado pelos radares da indústria do lazer, da comunicação, do turismo, e dos serviços médicos, pois, com tanto tempo livre e tanta riqueza acumulada, os idosos poderão sonhar com a vida eterna. Aqui mesmo, na Terra.
J.C Dantas
Edição: A.N.
03/11/2011
A quarta idade ou “a vida começa aos 70?”
Cadastrado em: 03/11/2011
“O coração tem razões que a própria razão desconhece” - esta é uma frase que você conhece e pertence à obra Pensèes, do genial Pascal, que praticamente criou dois ramos da Matemática: a Geometria Projetiva e a Teoria das Probabilidades. Já na Física, ele aprofundou muito os estudos sobre a mecânica dos fluidos, da pressão e do vácuo. E foi o inventor da primeira máquina de calcular mecânica. Pascal morreu aos 39 anos, no auge da sua capacidade criativa.
Esses gênios morreram cedo, fato comum na Europa e em todo o restante do mundo, até 200 anos atrás, quando era pouco provável que alguém conseguisse passar dos 40 anos de idade. Se vivessem hoje, Mozart e Pascal com certeza chegariam aos 80 anos.
Há cinqüenta anos uma pessoa de 65 anos, vivendo na França, nos Estados Unidos, ou no Brasil, tinha uma expectativa de viver mais 10 anos. Hoje a perspectiva de vida dessas pessoas é de mais 20 anos. Além de um substancial tempo de vida, ocorreu também uma grande melhoria na qualidade de suas vidas ativas. Embora isto signifique algo muito louvável na escala pessoal, é também um elemento de novos desafios nas questões ligadas ao trabalho e aos custos e relações sociais.
Em 2050, a população mundial com idade superior a 65 anos chegará a 1,5 bilhão de pessoas, ou seja, uma em cada cinco pessoas. Hoje esta população já supera a das crianças com idade entre 0 e 4 anos.
Estudos mostram que a chance de levar uma vida longa e saudável acompanha de perto a renda familiar: residentes de bairros abastados vivem mais tempo, além de viverem melhor. E o grupo das pessoas com idade superior aos 60 anos concentra em suas mãos cerca de 80% das riquezas nacionais, representando mais da metade do mercado consumidor.
Por outro lado, no Brasil, o impacto crescente dos
custos de saúde, determinado pelo progressivo aumento da população de idosos, elevará os gastos médicos dos atuais 84 bilhões de reais para cerca de 170 bilhões de reais, até 2020. Cirurgias para correção de catarata senil, revascularização cardíaca, implantes dentários e próteses do quadril, com custos que variam entre 6 mil e 40 mil reais, serão ocorrências comuns entre as pessoas com mais de 60 anos, determinando elevados custos sociais a serem assumidos por toda a população.
Apesar de pouco pesquisado, este grupo populacional logo será identificado pelos radares da indústria do lazer, da comunicação, do turismo, e dos serviços médicos, pois, com tanto tempo livre e tanta riqueza acumulada, os idosos poderão sonhar com a vida eterna. Aqui mesmo, na Terra.
J.C Dantas
Edição: A.N.
03/11/2011
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