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15% dos obesos mórbidos operados voltam a engordar

Cadastrado em: 08/04/2005
  15% dos obesos mórbidos operados voltam a engordar

Pacientes  criam  expectativas  exageradas  em  relação  à  cirurgia,  se  desiludem  e  voltam  a  buscar  na  comida  a  solução  para  seus  problemas.

Dados  da  Sociedade  Brasileira  de  Cirurgia  Bariátrica  apontam  que  o  Brasil  possui  mais  de  1  milhão  de  obesos  mórbidos,  número  que  duplicou  na  última  década.  Pacientes  obesos  mórbidos  são  aqueles  cujo  Índice  de  Massa  Corporal  (IMC)  está  acima  de  40.
 Praticamente  na  mesma  velocidade  em  que  se  propaga  a  obesidade,  também  cresce  a  procura  pelas  cirurgias  bariátricas (cirurgias que retiram um grande parte do estômago)  que  viraram uma verdadeira  coqueluche  no  País.  Porém,  como  todo  procedimento  médico,  as  cirurgias  oferecem  riscos  e  não  impedem  que  o  paciente  volte  a  engordar.  "O  paciente  não  recupera  completamente  o  peso  que  tinha  antes  da  cirurgia,  mas  alguns  chegam  a  readquirir  cerca  de  30kg  após  um  ano.  A  cirurgia  é  apenas  uma  ferramenta  que  o  médico  tem  para  tratar  o  paciente.  O  acompanhamento  multidisciplinar  e,  principalmente,  a  colaboração  do  paciente  são  fundamentais  para  o  sucesso  do  procedimento",  avalia  dr.  Roberto  Rizzi,  cirurgião  gastroenterologista  do  Hospital  São  Luiz, em São Paulo.

Para  o  cirurgião,  a  recaída  destes  pacientes,  que  no  Brasil  representa  15%  dos  operados,  é  explicada  pela  alta  expectativa  em  relação  ao  procedimento.  "O  paciente  cria  uma  grande  euforia  em  relação  à  cirurgia.  Ele  acredita  que  voltando  a  ser  magro  todos  os  seus  problemas  serão  solucionados.  Ele  acha  que  conseguirá  um  emprego,  retomará  sua  vida  amorosa  e  social.  Enfim,  projeta  na  cirurgia  a  mudança  de  toda  uma  vida.  O  tempo  passa  e  algumas  expectativas  são  frustradas,  a  partir  daí  ele  volta  a  utilizar  novamente  a  comida  como  válvula  de  escape",  afirma  o  médico. 

De  acordo  com  o  especialista,  o  paciente  operado  leva  até  dois  anos  para  estabilizar  seu  peso.  Porém,  o  primeiro  ano  é  considerado  a  "lua-de-mel",  pois  é  quando  os  efeitos  mais  imediatos  aparecem,  já  que  a  perda  de  peso  chega  a  75kg.  A  partir  daí,  quando  o  processo  de  perda  de  peso  é  mais  lento  e  as  mudanças  "incríveis"  no  dia-a-dia  não  acontecem,  o  paciente  volta  ao  pesadelo  de  engordar.

"A  pessoa  precisa  ter  em  mente  que  a  cirurgia  é  apenas  o  primeiro  passo  de  um  tratamento  que  pode  se  estender  ao  longo  de  toda  uma  vida,  pois  a  causa  da  doença  não  está  no  estômago  operado",  explica  o  médico,  ressaltando  a  importância  do  operado  dar  continuidade  às  reuniões  mensais,  realizadas  pela  equipe  multidisciplinar  do  São  Luiz,  cujo  objetivo  é  funcionar  como  uma  psicoterapia  de  grupo,  auxiliando  o  paciente  no  pós-operatório.  Nestas  reuniões,  os  pacientes  vivenciam  histórias  bem-sucedidas  de  outros  operados  e  até  mesmo  daqueles  que  voltaram  a  engordar  e  estão  em  um  novo  processo  de  controle  da  ansiedade  em  relação  à  comida.  Também  ouvem  depoimentos  dos  familiares,  que  também  precisam  aprender  a  conviver  com  esta  "nova  pessoa",  já  que  a  cirurgia  transforma  os  hábitos  alimentares  da  família  como  um  todo.  "É  preciso  trabalhar  o  psicológico  e  o  emocional  deste  paciente,  onde  realmente  estão  as  causas  da  obesidade",  avalia  o  especialista.

O  controle  no  pós-operatório,  com  uma  equipe  multidisciplinar  formada  por  cirurgiões,  endocrinologistas,  psicólogos  e  nutricionistas,  pode  assegurar  a  eficácia  da  cirurgia  e  o  controle  no  ganho  de  peso.  A  partir  daí,  o  paciente  já  pode  realizar  as  cirurgias  plásticas,  que  completam  a  parte  estética  do  processo.
Nova  técnica  de  cirurgia  plástica  melhora  a  qualidade  de  vida  dos  operados.

A  cirurgia  plástica  após  a  gastroplastia  é  necessária  e  importante,  mas,  antes,  é  preciso  entender  o  que  se  passa  com  o  paciente.  Inicialmente,  o  paciente  sofre  com  sua  obesidade,  sem  conseguir  controlá-la,  isolando-se  e  chegando  a  ser  excluído  socialmente,  na  maioria  das  vezes.

O  constrangimento  devido  às  cicatrizes  abdominais  transversais  deixadas  pelas  cirurgias  plásticas  após  grande  perda  de  peso,  muitas  vezes,  acaba  afetando  a  auto-estima  e  comprometendo  as  atividades  sociais.  Estas  pessoas  sentem-se  inibidas  de  usar  roupas  mais  decotadas  ou  roupas  de  banho,  que  expõem  ainda  mais  as  marcas,  diminuindo  a  interação  social  e  deixando  de  realizar  algumas  atividades.