Kyslley Urtiga e o tratamento que vai além do físico
Cadastrado em: 11/01/2008
Durante o tratamento do câncer o acompanhamento das condições físicas do paciente é muito importante, mas o tratamento dos medos e preocupações dessas pessoas, que receberam o diagnóstico de uma doença que ainda encerra tantos tabus, também faz toda a diferença.
A psicóloga Kyslley Urtiga, que integra a equipe da Oncomédica desde 2006, atua justamente nesta área. Juntamente com, a também psicóloga, Janua Coeli, a profissional coordena o bem sucedido grupo terapêutico da Oncomédica. “Possibilitar o encontro entre pessoas que estão passando pelo mesmo problema é a chave do sucesso do grupo terapêutico da Oncomédica”, destaca Kyslley.
A terapia individual também é parte integrante do trabalho que a psicóloga desenvolve na Oncomédica. Especialista em psicologia clínica e terapia sexual, Kyslley atua, dentre outras atividades, no acompanhamento e resgate de pacientes que desenvolvem disfunções sexuais, traumas e outras dificuldades em razão do tratamento contra o câncer.
A psicóloga concedeu a seguinte entrevista para o Portal Oncomédica:
Portal Oncomédica – Como a psicologia e a oncologia surgiram na sua vida?
Parece que a psicologia era meu destino. Na época do vestibular tinha dúvidas sobre que área seguir: odontologia ou psicologia. Acabei passando para os dois cursos e na hora H me decidi pela psicologia. Hoje, acho que acertei na escolha. Fiz a graduação na Faculdade Santo Agostinho, depois, me especializei em psicologia clínica e terapia sexual. Minha experiência na área de oncologia adquiri trabalhando com pacientes oncológicos em um hospital de Teresina. Na Oncomédica trabalho com os clientes aspectos como as disfunções sexuais que podem surgir em razão do tratamento de câncer e também em outros atendimentos que auxiliem esses pacientes na superação de suas fragilidades e medos.
Portal Oncomédica – Você participa da coordenação do grupo terapêutico da Oncomédica. Como é desenvolvido esse trabalho?
No grupo terapêutico nós reunimos esses pacientes, são pessoas que estão passando pelos mesmos problemas, por momentos difíceis. Nestes encontros, um apóia ao outro, eles podem enxergar um outro lado. Essa troca é o que enriquece o nosso grupo terapêutico. Nossa função é favorecer essa reunião de pessoas que estão vivenciando situações semelhantes. Possibilitar o encontro entre pessoas que estão passando pelo mesmo problema é a chave do sucesso do grupo terapêutico da Oncomédica.
Portal Oncomédica – A Oncomédica também mantém um programa de terapia ocupacional, o Recriar. Como psicóloga, que vantagens você enxerga nesse projeto?
O tratamento do câncer, muitas vezes, retira o paciente do seu ambiente de trabalho, das vivências às quais ele estava acostumado. Toda esta situação faz com que o paciente fique mais vulnerável a preocupações e pensamentos ruins. O Recriar mostra para essas pessoas que elas continuam ativas, que podem desenvolver outros trabalhos, aprender coisas novas, que nem sabiam que existiam. A terapia ocupacional tem esse caráter de inserção, demonstra que aquela pessoa pode fazer e aprender muitas coisas. O Recriar liberta desse mito de que o doente tem que ficar em casa e perder o contato com o resto do mundo.
Portal Oncomédica – Na Oncomédica, você também atua na terapia individual. Quais diferenças existem na terapia clínica destinada aos pacientes oncológicos em comparação com a terapia desenvolvida com outros pacientes?
O psicólogo que atua na área de oncologia tem que estar atento a toda a problemática do paciente oncológico. Ele já chega ao consultório fragilizado, achando que o diagnóstico da doença traçou sua sentença de morte. Nós temos que trabalhar nisso. Demonstrar que a quimioterapia é uma aliada, trabalhar no sentido de demonstrar que ele não precisa desistir da vida. Nisso tudo, o diálogo com o restante da equipe que trabalha com esse paciente é muito importante.
Portal Oncomédica – Como funciona esse diálogo entre a equipe de psicologia da Oncomédica e os médicos que atuam no tratamento?
Nós mantemos um diálogo constante com o médico oncologista, que acompanha o tratamento do paciente com grande proximidade. Sempre que um paciente está demonstrando uma maior fragilidade, nós somos alertados pelo oncologista, assim como nós também fazemos essa troca com o médico. Esse diálogo existe de uma forma bem aberta na Oncomédica e é assim que tem que ser. É necessário que exista essa integração entre a equipe.
Portal Oncomédica – Você atua em outras áreas, além de psico-oncologia?
Sim. Trabalho com psicologia clínica, que é uma grande paixão.
Portal Oncomédica – E nas horas vagas? O que gosta de fazer?
Adoro viajar. Tenho duas filhas e gosto de viajar com a família.
Rápidas:
Um livro: Nada fica sem resposta, de Elisa Masselli
Música: Caetano Veloso
Um filme: O amor pode dar certo
Revista/ periódico: Isto é e Veja são minhas leituras de fim de semana.
Clarissa Poty
29.10.2007
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