Depoimentos / Entrevista com Cliente

Dona Magnólia: Oito décadas de puro talento

Cadastrado em: 03/04/2008

Dona Magnólia Baptista Furtado é uma artista quase completa. Música, bordados, confeitaria, desenhos e pintura em geral integram a lista de atividades que ela é capaz de desenvolver com seus múltiplos talentos.
 
Depois de anos criando e recriando peças em casa, para presentear a família em datas especiais, e de uma experiência como empresária de uma lojinha de flores feitas em tecido, atualmente, Dona Magnólia reverte parte de sua energia para as oficinas criativas do Projeto Recriar, programa de terapia ocupacional da Oncomédica, que ela freqüenta há quase um ano.
 
Dispondo de tantos talentos, Dona Magnólia chegou ao Recriar por um caminho inverso ao percorrido pela maioria dos outros participantes. Apesar de ter sido portadora de um câncer de mama, ela veio para o programa de terapia ocupacional com a intenção de ensinar e não de aprender. Sua primeira participação no Projeto foi como instrutora em um ciclo de oficinas criativas.
 
A oficina de pintura em tela começou a ser ministrada em maio de 2007 e despertou enorme interesse nos participantes. A então instrutora gostou tanto da experiência com o grupo que resolveu permanecer com ele. Mudou de lado e passou a freqüentar as oficinas seguintes.
 
Muito ligada à música, Dona Magnólia anima as oficinas criativas com cantorias e se tornou a autora do Hino do Recriar, canção que destaca a importância da amizade e dos laços estabelecidos durante as reuniões da terapia ocupacional e que, hoje em dia, é entoada por todos os participantes nas festas e confraternizações do Projeto realizadas durante o ano.   
 
Do alto de seus 82 anos, com uma família que engloba oito filhos, 25 netos e seis bisnetos, Dona Magnólia é exemplo de experiência e simpatia no Projeto Recriar. Fomos conversar com a participante para conhecer o segredo de seus múltiplos talentos. Confira a entrevista!
 
Portal Oncomédica - A senhora chegou ao Recriar como instrutora em uma oficina de pintura em tela. Onde desenvolveu esse talento para pintar?
 

Já comecei a desenhar ainda no curso primário. Quando cheguei na Escola Normal, continuei com aulas de desenho, eu achava muito bonito, a professora me incentivava e não parei mais. Fazia cópias de retratos de Getúlio Vargas, Tiradentes. Mesmo depois do Curso Normal passei a fazer os desenhos por minha conta. Mas só fui começar a pintar depois de casada, quando resolvi fazer o retrato de minha sogra. E fui desenvolvendo as técnicas de pintura. Eu sempre tive vontade de fazer qualquer arte, me dá um estalo e eu vou atrás de fazer aquilo.
 
Portal Oncomédica - Além da pintura a senhora também é bastante ligada com a música. O Hino do Recriar, por exemplo, é de sua autoria. Como a senhora começou a compor?
 
Lembro que compus minha primeira música no último ano de Escola Normal. Minha família morava em Floriano e eu estava em Teresina para concluir minha formação. Olhei para o céu e ele estava roxo, senti uma saudade de casa, de tudo e fiz a canção. Quando casei, meu marido não gostava muito dessa história de canção de ninar, mas, quando nasceu meu quinto filho, ele deixou dessa idéia e eu comecei a compor cantigas de ninar para as crianças, cada filho tinha sua música para dormir. Fiz várias músicas. Em um aniversário de meu marido, fiz umas quadrinhas para nossas filhas cantarem em homenagem ao pai. Ainda hoje faço músicas para as festas e comemorações da família.
 
Portal Oncomédica - E as melodias dessas canções, como a senhora trabalha com isso?
 
Geralmente eu adapto a letra a alguma melodia, muitas vezes puxo a melodia de alguma música famosa e adapto a letra, fazendo alterações no ritmo de acordo com o que escrevo. No caso do Baião do Recriar, a outra composição que fiz para cá, eu peguei um pouco da melodia daquela música do Luiz Gonzaga, “Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião” e adaptei, fiz uma espécie de paródia.
 
Portal Oncomédica - A senhora já foi dona de uma lojinha que vendia flores em tecido para ornamentação de festas. Como foi essa experiência?
 
Eu tinha aprendido a fazer essas flores em casa, com minha mãe. Muitos anos depois, resolvi montar essa lojinha, primeiro em um centro comercial, e depois em um terreno atrás de minha casa. Lá eu recebia os clientes e também ensinava aos vizinhos e a quem quisesse aprender o processo de criar as flores em tecido. A TV Clube até fez uma reportagem com a minha lojinha, que atraiu muitos clientes. Nós fazíamos flores de todo tipo, para confeitar bolo, enfeitar vestidos, arranjos, de um tudo. Mas eu fui parando de fazer as flores e, depois, um incêndio acabou com todo o material que eu tinha estocado em casa e desisti da atividade. Mas até hoje uma das vizinhas que aprendeu a técnica comigo continua trabalhando, e bem, com isso. 
 
Portal Oncomédica - Quando a senhora ministrará mais uma oficina para as colegas do Recriar?
 
Já está programada a realização de uma oficina, justamente com as flores em tecido, para esse ano. Na oficina de pintura em tela eu trouxe uma técnica bem fácil para ensinar para as garotas. Agora, vou ensinar a fazer as flores apenas com o ponto da agulha.
 
Rápidas
 
Um livro: As 100 melhores histórias da Bíblia
Uma música: gosto muito de valsa
Um filme: A Noviça Rebelde


Clarissa Poty
03.04.2008

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