Depoimentos / Entrevista com Cliente

D. Salvany: bom humor e aprendizado no Recriar

Cadastrado em: 08/01/2008

Basta uma única visita a uma das reuniões do Projeto Recriar para que o visitante fique logo conhecendo Dona Salvany. Alegre, expansiva e animada, a participante chama a atenção pelo bom humor e disposição para a conversa.

Quando não está montando alguma peça artesanal, Salvany pode estar recitando sonetos de Vinicius de Moraes, cantando, dançando ou, simplesmente, tirando alguma brincadeira com as outras colegas. Parada é que ela não fica. Cliente da Oncomédica desde 2005, Dona Salvany começou a quimioterapia juntamente com as reuniões da terapia ocupacional.

“No meu primeiro dia de quimioterapia na Oncomédica, estava acontecendo uma atividade do Projeto Recriar. Me empolguei naquela hora, me entrosei com o grupo e nunca mais saí”, conta.

As reuniões do Recriar saíram da clínica e hoje acontecem no clube do Medplan.. Dona Salvany não costuma perder nenhuma das manhãs de sexta-feira com os colegas. Ultimamente, o estímulo aumentou, já que ela está desenvolvendo um talento, outrora desconhecido, para a pintura.

“Não sou uma pessoa habilidosa para atividades manuais. Mas vir pra cá e participar, estar com as colegas, já era o bastante. Só agora descobri essa inclinação para a pintura e estou tentando me aprimorar”, conta.  

No intervalo de uma das oficinas do Projeto Recriar, Dona Salvany concedeu a seguinte entrevista para a equipe do Portal Oncomédica:

Portal Oncomédica – Como a senhora se tornou cliente da Oncomédica?

Fui diagnosticada com câncer no fígado. Fiz a cirurgia de remoção de parte do órgão e me indicaram a Oncomédica para iniciar o tratamento de quimioterapia. No meu primeiro dia de quimio estava acontecendo uma atividade do Projeto Recriar. Me empolguei naquela hora, me entrosei com o grupo e nunca mais saí. Isso foi em dezembro de 2005, de lá pra cá, perdi poucas reuniões.

Portal Oncomédica – Como foi esse início no Projeto Recriar?

Passei a freqüentar todas as reuniões. Ia com as mãos tremendo, por causa do efeito da quimioterapia. Mesmo quando não podia realizar as atividades, eu participava observando e conversando e só isso já me ajudava a esquecer os problemas. Porque no começo é muito difícil superar aquele momento, aquele desmoronamento que a gente sente. Vir para o Recriar me fazia pensar em outras coisas.

Portal Oncomédica – A senhora sempre teve inclinação para o artesanato e atividades manuais ou esse interesse começou com a terapia ocupacional do Recriar?

No início eu não tinha tanta habilidade assim. Mas vir para cá e participar, estar com as colegas, já era o bastante. Só agora descobri essa inclinação para a pintura e estou tentando me aprimorar. Aqui, eu estou sempre aprendendo alguma coisa nova. Não tenho tanta coordenação motora, mas isso não é importante. O que importa é estar presente, dando idéias, participando, brincando, se distraindo. Porque quando eu estou aqui eu não estou pensando em problema.

 Portal Oncomédica – A senhora também participou do primeiro grupo terapêutico organizado pela equipe de psicologia da Oncomédica. Como foi essa experiência?

No grupo, as psicólogas nos passavam muitas informações importantes sobre a doença. Nós também tínhamos a oportunidade de ouvir os depoimentos dos colegas. Era uma troca, contávamos nossa história e ouvíamos as histórias dos outros. Foi muito proveitoso.

Portal Oncomédica – Os participantes do grupo terapêutico podem se tornar voluntários da Oncomédica. A senhora está participando do treinamento para o voluntariado?

Sim. Na verdade eu já fazia esse trabalho como voluntária na Oncomédica. Sempre que via alguém muito deprimido, na recepção ou na quimioterapia, eu sentava e conversava. Contava tudo o que eu passei, aconselhava, dava aquela força. Também fiz visitas para colegas internados. Mas agora, com o treinamento feito para quem está disposto a ser voluntário, estou aprendendo técnicas de abordagem e adquirindo conhecimentos que vão me auxiliar nesse trabalho de ajudar outras pessoas.

Portal Oncomédica – Como a senhora acha que os familiares e o próprio paciente podem ajudar durante o tratamento contra o câncer?

Sendo positivos. A família tem que estar junto do paciente, isso é muito importante. A doença baixa o astral, então outra coisa importante é estar sempre fazendo algo que aumente sua auto-estima. A pessoa não deve ocultar, ter vergonha da doença. Eu me desprendi, falava para todos que tinha câncer. Quando você guarda alguma coisa dentro de você, aquilo vira um tabu e quanto mais a gente fala do problema, mais a gente se sente liberto.

Rápidas:

Uma alegria: Saúde
Um sonho: viajar de avião
Uma música: Detalhes, de Roberto Carlos
O Recriar é... alegria e aprendizado.

Clarissa Poty
07.11.2007

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