Carlos Vilanova e a disposição na luta pela vida
Cadastrado em: 25/09/2007
Ao receber o diagnóstico de um câncer raro no pulmão, o primeiro pensamento de Carlos Vilanova foi: “não vou entregar essa luta fácil”. Depois do início do tratamento, à medida que os exames demonstravam pequenas melhoras, o objetivo foi subindo de patamar. “Além de lutar contra a doença, percebi que seria possível vencê-la”, conta.
E ele está conseguindo. Agora, este homem de 55 anos quer retribuir ajudando outras pessoas que já passaram ou ainda estão passando pelo mesmo problema.
Seu Carlos, como é mais conhecido pelos clientes e funcionários da Oncomédica, está decidido a ser um dos voluntários que serão treinados pela Oncomédica para auxiliar no tratamento e resgate da auto-estima de outros pacientes oncológicos. “Desse jeito me sinto útil”, explica.
Um dos clientes mais participativos da Oncomédica, integrante do Projeto Recriar e, também, do primeiro grupo terapêutico da clínica, Carlos Vilanova é o entrevistado da vez no Portal Oncomédica.
Portal Oncomédica – Como o senhor conheceu a Oncomédica?
Eu trabalhava e morava em Brasília quando soube que tinha câncer. Ao receber o diagnóstico, voltei para Teresina, onde vivem minhas filhas. Já por aqui, comecei meu tratamento em um outro lugar. Mas, lá, eu não me sentia à vontade. Sentia falta de um grau de comunicabilidade maior entre médico e paciente. De conhecer a extensão dos danos, minhas reais condições. Foi aí que minha filha, que é médica, recebeu boas referências sobre a Oncomédica. Quando conheci a clínica eu já estava na segunda etapa da quimioterapia. Mas apesar de ter feito a maior parte do meu tratamento em um outro lugar, é na Oncomédica que me sinto em casa.
Portal Oncomédica – Após uma licença para o tratamento e recuperação do câncer, o senhor está de volta ao trabalho. Como está sendo esse retorno?
Sou bancário e sempre trabalhei em banco. Para mim, este retorno está sendo ótimo. Já são seis meses na ativa e tem sido muito legal. Ter o que fazer, mesmo que não seja no pique total, é muito importante. Eu vejo o trabalho como uma terapia, porque, durante o tratamento, nós ficamos um pouco isolados, em razão da baixa imunidade e vários outros fatores. Por isso é importante voltar, fazer algo, estar trabalhando.
Portal Oncomédica – O Projeto Recriar, programa de terapia ocupacional da Oncomédica, também objetiva resgatar a auto-estima dos pacientes oncológicos através da prática de diversas atividades. O senhor participou ativamente do projeto. Ele lhe ajudou de alguma forma?
Antes de voltar ao trabalho, eu sempre comparecia às reuniões do Recriar. Neste mês, em que estou de férias, estou voltando a freqüentar. Acho que o projeto tem muitas vantagens. Inicialmente, possibilita uma convivência com pessoas iguais, você interage com pessoas que estão passando por problemas semelhantes aos seus. Além disso, fazemos coisas novas, aprendemos coisas novas. Melhora muito o alto-astral.
Portal Oncomédica – A partir da sua experiência, o que o senhor considera ser importante para a recuperação da pessoa em tratamento contra câncer?
A pessoa tem que se conscientizar das suas limitações, suas condições e não desanimar. Além disso, é importante melhorar sua disposição psicológica, para poder ajudar aos médicos. Não se pode adotar uma visão fatalista da coisa. O câncer carrega um estigma muito grande. É preciso reverter essa idéia, ter a disposição de lutar pela vida.
Portal Oncomédica – O senhor participou do primeiro grupo terapêutico da Oncomédica, que acaba de concluir suas reuniões. O que essa experiência lhe rendeu?
Foi uma experiência muito interessante. Agora, estou animado com a possibilidade de ser um dos voluntários que a Oncomédica vai treinar para ajudar a outros pacientes. É uma forma de me sentir útil, esses pacientes vão poder conversar com pessoas que já passaram pelos mesmos problemas.
Rápidas
Uma alegria: minha recuperação
Um sonho: poder servir aos outros
O Recriar é... parte da recuperação da auto-estima
Uma música: Eu sei que vou te amar, de Vinicius.
Planos: ascensão profissional e ser voluntário da Oncomédica.
Clarissa Poty
20.09.2007
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